São Paulo - Todos os casos de consultoria pessoal realizados por Elaine Toledo são de assalariados que não ganham mal: têm salários que variam de R$ 5 mil a R$ 8 mil. As dívidas dessas pessoas são decorrentes de compras desnecessárias, feitas por impulso. Sentimentos de raiva, angústia, mágoa, frustração, etc., acabam gerando a necessidade de satisfação a curto prazo. ''Cada um tem uma forma de buscar prazer'', escreve Elaine em seu livro. ''Alguns buscam prazer comendo, outros correndo, bebendo e, muitos, gastando. Esses acabam se justificando, dizendo 'eu mereço', só que se esquecem de que a fatura e o extrato bancário mostram o rombo.''
Antes de procurarem ajuda, endividados costumam assumir o papel de vítimas, segundo a consultora. Mas se esquecem de que se encontram em tal situação porque fizeram escolhas erradas. Alguns relutam em encarar uma mudança de hábitos, adaptando-se à realidade, para não abrir mão do padrão de vida. Exceção feita àqueles que se endividam por causa de algum imprevisto.
Elaine lembra de uma família extremamente endividada que a chamou para organizar as finanças e indicar soluções para o problema. Os dois filhos frequentavam a faculdade, a família tinha dois carros e morava em um apartamento cujo condomínio custava R$ 1 mil. Quando ela propôs a venda de um dos carros para que conseguissem ''respirar'' um pouco, não aceitaram. Também se negaram a trocar a moradia por outro lugar com condomínio mais baixo. Queriam um milagre, e isso não existe em finanças. Se os gastos superam a receita, só há dois caminhos: ou se aumenta a quantia que entra ou se diminui a quantia que sai. Dessa maneira, a consultora não teve outra alternativa a não ser abandonar o caso. (AE)

mockup