Endividada, Romera é vendida e pede recuperação judicial
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quinta-feira, 10 de maio de 2018
Reportagem Local 
Nona maior rede de eletromóveis do País, o Grupo Romera, com sede em Arapongas, foi vendido e pediu recuperação judicial logo na sequência. A empresa teve prejuízo de R$ 40 milhões no ano passado e acumula débitos de R$ 130 milhões. O comprador foi o empresário e investidor Walter Nicolau Filho.
De acordo com o ranking "300 Maiores Empresas do Varejo Brasileiro", organizado pela SBVC (Sociedade Brasileira de Varejo e Consumo), a empresa faturou R$ 1,2 bilhão e mantinha 189 lojas em sete estados em 2016. O número de funcionários já foi de cerca de 4 mil, mas a crise econômica pela qual o País passa levou ao fechamento de unidades e cortes de empregados. Segundo a assessoria de imprensa do grupo, que inclui uma transportadora com frota própria e uma indústria de estofados, o número caiu para 160 lojas e 2,3 mil trabalhadores.
Por meio de nota, o empresário Walter Nicolau Filho, que assumiu a presidência do Grupo Romera, afirmou que as finanças da empresa estão desestabilizadas, mas recuperáveis mediante um choque de gestão. Por isso, a decisão de compra foi condicionada a uma recuperação judicial. "Após uma profunda e minuciosa avaliação do caixa e operações junto à Corporate Consulting (empresa escolhida para assumir o projeto de reestruturação), foi constatado que o foco estava voltado mais em faturamento do que em rentabilidade, modelo que deixou de funcionar quando o mercado desaqueceu", disse.
Com base em uma projeção de mercado do Ibevar (Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo e Mercado de Consumo), ele afirmou que espera um crescimento de 6% no segmento de varejo nos próximos meses ante o mesmo período de 2017, com destaque para as linhas de móveis e eletrodomésticos. "Acreditamos na plena recuperação da empresa. Hoje, 72% das compras da Romera são feitas por clientes antigos, uma taxa de fidelização muito alta, o que mostra um posicionamento importante perante o mercado varejista", disse, na nota.
ESTRATÉGIA RARA
Responsável pelo processo de recuperação judicial (RJ), o presidente da Corporate Consulting, Luis Alberto Paiva, afirmou que é incomum um processo de compra de empresa atrelado à RJ. "Isso demonstra comprometimento na retomada e o projeto que estamos traçando a partir de agora é de expansão, estruturando operações de corporate finance, retomada do abastecimento das lojas e redução de custos operacionais", afirmou, em nota.
Todo o ciclo deve levar de 12 a 24 meses."Com a recuperação judicial esperamos garantir um plano de turnaround em que possamos estruturar aportes de até R$ 80 milhões que viabilizarão as operações e focar em produtividade e margens", contou Paiva.
Atualmente a rede fatura R$ 580 milhões. A dívida de R$ 130 milhões está distribuída entre fornecedores (90%), bancos (7%) e funcionários (3%).


