O evento promovido pelo Grupo Folha de Comunicação discute assuntos relativos ao desenvolvimento regional; na última edição, em março, o tema abordado foi a construção civil
O evento promovido pelo Grupo Folha de Comunicação discute assuntos relativos ao desenvolvimento regional; na última edição, em março, o tema abordado foi a construção civil | Foto: Fábio Alcover/14-03-2019

Mesclar novas tecnologias e atendimento humanizado é um dos principais desafios no meio corporativo. Na busca pela modernização, representantes de 70 cooperativas do Paraná, dos mais diversos segmentos, aderiram ao Programa de Inovação ofertado pelo Sistema Ocepar.

Mais de 500 inscritos participam de atividades que estimulam a implantação de uma cultura inovadora no ambiente de trabalho com benefícios diretos para os cooperados.

Como mostrou caderno especial publicado pela FOLHA nesta quarta-feira (24), o Paraná é o Estado brasileiro onde as cooperativas mais empregam: são 101.228 postos de trabalho, quase um quarto do total do País. As 220 cooperativas paranaenses faturaram em 2018 cerca de R$ 83,7 bilhões, o que representa praticamente 18% do PIB (Produto Interno Bruto) estadual.

“Cooperativismo – A união que traz resultados” é tema do 14º EncontrosFolha, que o Grupo Folha de Comunicação realiza nesta quinta-feira (25), a partir das 8 horas, no Aurora Shopping, e que terá como palestrante principal o superintendente da OCB (Organização das Cooperativas do Brasil), Renato Nobile.

Conforme o superintendente do Sescoop (Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo) do Paraná, Leonardo Boesche, independentemente do ramo em que a cooperativa está inserida e do grau de maturidade de sua gestão, ela pode participar do Programa de Inovação do Sistema Ocepar. “É um processo educativo em inovação. O nosso grande propósito não é implantar novos sistemas nas cooperativas. A inovação é apenas uma consequência desse programa”, destaca.

A proposta foi lançada em abril do ano passado. No início do curso, por meio de um jogo de celular, os participantes foram convidados a conhecer e diferenciar dois perfis de profissionais: o inovador e o transformador. “O inovador é aquela pessoa que, de uma forma metafórica, tem a cabeça nas nuvens. O perfil transformador é aquele que tem o pé no chão. Então um vai idealizar a inovação e o outro vai fazer o plano de ação para colocar essa ideia em prática”, explica Boesche. A capacitação, dividida em três etapas, deve ser encerrada até outubro.

Ideias relacionadas a produtos e serviços na área de concessão de crédito, saúde e agronegócio estão entre as propostas. Conforme o superintendente do Sescoop/PR, mais de 200 novos projetos foram incubados.

STARTUPS DO CAMPO

Na Integrada, o foco é oferecer melhorias para os cooperados por meio da aproximação com startups. De acordo com o gerente de Planejamento e Desenvolvimento da cooperativa, André Galletti Junior, o sensoreamento de informações de campo (como umidade, temperatura e velocidade do vento) indicam o melhor momento para que o produtor execute ações como a aplicação de insumos. Os dados são atualizados no Portal do Cooperado.

“Temos processos estruturados que vão desde a geração de ideias até a captação de novas startups. Queremos criar um programa de inovação aberta para aproximar realmente as startups do campo buscando soluções que aumentem a produtividade dos cooperados com mais rentabilidade. Hoje já são mais de seis startups no momento para essa atuação em conjunto. Estamos investindo em IoT (Internet das Coisas), sensores, estações meteorológicas e máquinas inteligentes, tudo que possa aumentar a rentabilidade do cooperado”, detalha. A eficiência operacional e a redução nos custos também estão entre as metas dos novos projetos.

“Temos que buscar sempre acompanhar a modernidade. Principalmente, na questão do campo, as tecnologias avançam rapidamente e, para os nossos cooperados, temos que levar essas inovações para que eles possam melhorar a produtividade a cada ano e continuar sustentáveis no campo”, salienta o diretor-presidente da Integrada, Jorge Hashimoto.

RELAÇÕES FINANCEIRAS HUMANIZADAS

O conceito do cooperativismo já é inovador, na avaliação do diretor de Gestão e Estratégia do Sicoob Central Unicoob, Marcio de Souza Gonçalves. Porém, segundo ele, é necessário mesclar as novas tecnologias sem comprometer o atendimento humanizado e personalizado.

“O nosso propósito é humanizar as relações financeiras. Temos um movimento muito forte para estar presente nas comunidades. Nós acreditamos que o cooperativismo é isso. Alavancar e melhorar não só para o cooperado como para toda a comunidade, em cidades com 5 ou 10 mil habitantes. Temos o Sicoob móvel, um ponto móvel de atendimento que é uma van que chega em lugares de difícil acesso para trazer o relacionamento financeiro para as pessoas”, comenta.

“Ser inovador não tem muito a ver com você ser tecnológico. Nosso papel é tentar fazer uma transformação nas pessoas, nos cooperados, para que possamos juntos trabalhar as 'soft skills' para pensar como as pessoas podem desenvolver um pensamento transformador, trabalhar com inovação até mesmo com coisas que já existem e melhorar a eficiência do trabalho. A tecnologia é só o caminho. Os aplicativos são extremamente importantes, mas você pode ter o melhor aplicativo e simplesmente ninguém utilizá-lo”, completa Gonçalves.

Representantes da cooperativa são estimulados a conhecer realidades e soluções em diferentes países para atrair ideias e reforçar a cultura inovadora. A agência digital e a implantação do 'pay station' (máquina para o recebimento de pagamentos que pode ser utilizada inclusive por não cooperados) estão entre as inovações citadas pelo gerente de Processos e Qualidade do Sicoob Ouro Verde, Marcio Roberto da Silva.

“Temos um canal de comunicação digital, porém assim que eles demandam o produto ou serviço, esse atendimento passa a ser humanizado. Chamamos o atendimento de digital humanizado. O cooperado usa as máquinas e as redes sociais para entrar em contato e a cooperativa entra em contato por meio de um colaborador”, reforça. A expectativa é implantar, nos próximos meses, uma sala de atendimento on-line em que o cooperado poderá agendar um horário para atendimento por meio de videoconferência.

ENVOLVIMENTO DOS COLABORADORES

A valorização do olhar interno dos colaboradores é o destaque da Unimed Londrina. Representantes da cooperativa participaram de cursos externos e implantaram uma capacitação em Londrina voltada para a área da inovação. Simultaneamente, a Unimed Londrina lançou também o projeto chamado Pi (em referência à letra grega). O Programa de Inovação envolve todos os colaboradores para sugerirem propostas de melhorias para a gestão interna e/ou melhorias para os cooperados.

“Todos os colaboradores podem sugerir inovações no processo, no atendimento, em tudo. Eu sou do atendimento, mas posso dar uma sugestão na área de logística. Essa ideia apresentada pelo colaborador é avaliada por um comitê e pode ser implementada ou não. Caso a ideia seja implementada, caso gere economia, um percentual pequeno é retornado para o próprio colaborador ou para o setor em que ele trabalha”, explica o diretor-presidente da Unimed Londrina, Omar Taha.

O programa, implantado no ano passado, já gerou economia inicial em torno de R$ 600 mil em razão da redução de custos em processos internos. “Inovação é quando você cria um novo jeito de trabalhar que não implica necessariamente em tecnologia e TI. Pode ser só uma maneira diferente de fazer alguma coisa, mas que agregue valor ao processo, que implique em retorno financeiro ou em uma valorização daquele processo de alguma outra forma. Nesse sentido, os colaboradores de Londrina entenderam a mensagem e se envolveram com o programa”, comemora Taha.

Para ele, dois aspectos são considerados fundamentais como base de implantação de programas de inovação bem-sucedidos. “A alta liderança da empresa precisa estar comprometida com esse processo de inovação. O segundo ponto, e que às vezes é o mais difícil, é que você tem que criar um ambiente dentro da empresa ou dentro da cooperativa que propicie essa inovação. Você não pode ter um ambiente que reprima o colaborador ou não dê espaço para que ele apresente ideias. Tudo deve ser de forma organizada e dimensionada. Nesse sentido, o nosso programa, além de gerar economia, está conseguindo difundir uma cultura inovadora dentro da cooperativa”, reforça.

Além de ouvir os colaboradores que atuam diariamente na cooperativa, o olhar externo por meio de consultorias também é considerado pela gestão que aposta em um modelo integrado denominado “Governanças por processos” para a solução de questões internas. “Os setores atuam em conjunto. Por exemplo, vamos trocar o sistema operacional. Não é só o pessoal da TI que é responsável por isso. O pessoal da gestão, do mercado, da área de custos, do planejamento... Isso envolve todos. Esse modelo de gestão por si só já propicia um ambiente colaborativo”, destaca o diretor-presidente.

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