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Londrina

Economia

m de leitura Atualizado em 27/07/2022, 17:23

Encontros FOLHA debate inovação na agricultura

Evento, que retorna ao formato presencial no Aurora Shopping, na manhã desta quinta (28), vai abordar o protagonismo da tecnologia no campo

PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 27 de julho de 2022

Lucas Catanho - Especial para a FOLHA
AUTOR autor do artigo

Foto: iStock
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O Grupo FOLHA retoma, de forma presencial, nesta quinta-feira (28), das 8 às 11 horas, no Centro de Eventos do Aurora Shopping, o projeto EncontrosFolha,  um ciclo de debates sobre a inovação nos principais segmentos que movem a economia paranaense. O tema desta 15ª edição do Encontros será “Agricultura digital: a tecnologia como protagonista no campo”.  

Desde a sua criação em 2014, o EncontrosFolha vem debatendo os principais temas que impactam o desenvolvimento do Norte do Paraná e muitas das pautas discutidas nesses últimos oito anos pelo projeto se viabilizaram, como a melhoria na infraestrutura viária da Região Metropolitana de Londrina, tema da segunda edição do Encontros, em 2014: "Infraestrutura e Logística: vencendo os gargalos do Norte do Paraná"

O superintendente do Grupo Folha de Londrina, Nicolás Mejía, destaca a importância do retorno presencial do EncontrosFolha após dois anos de pandemia. Em 2021, o projeto teve cinco edições transmitidas de maneira remota, que ganhou o nome de Rodadas de Conteúdos. Foi uma importante maneira de manter o debate em torno do desenvolvimento da região, mesmo com as dificuldades impostas pelo isolamento social. 

"A retomada do EncontrosFolha de forma presencial vai ampliar os debates sobre o desenvolvimento do Norte do Paraná e permitir que as lideranças regionais se encontrem para discutir formas de vencer os principais gargalos que afetam o crescimento econômico e social do Estado", afirmou Mejía. 

A 15ª edição do EncontrosFolha será mediado por Lucas Ferreira, coordenador estadual estratégico do Sebrae Paraná e gestor do agronegócio na região norte do Estado. Ele destaca a velocidade das mudanças que a agricultura digital permite para quem trabalha e vive no campo. "Quando a gente tem o processo digitalizado, dentro da agricultura, a gente consegue medir vários indicadores de uma forma muito mais rapida. Isso se transforma em informação para o produtor e facilita na tomada de decisão que ele possa ter. Vai garantir para ele um aumento de produtividade ou uma melhora na qualidade de sua produção", constata. 

Para Ferreira, um dos temas importantes a ser levantado durante o evento desta quinta-feira (28) é a importância da melhoria do gargalo de infraestrutura de comunicação na área rural e também tratar do  ecossistema de inovação de Londrina, que vem se tornado cada vez mais relevante. "O ecossistema se consolida como uma grande ponte da inovação, gerando uma sustentação para qualquer fase do empreendedorismo, desde a concepção de uma nova ideia que vai ajudar no agronegócio, passando pelas fases de pesquisa, em que as instituições de ensino podem amparar, assim como os instituto de pesquisa", explica. 

Esse ecossistema também permite avançar para as fases de operação e desenvolvimento e Ferreira comenta sobre o trabalho de destaque das universidades e também de várias médias e grandes empresas "que se envolvem com iniciativas de inovação aberta avançando para a parte de mercado, onde o Sebrae tem papel importante e outras entidades que promovem eventos comerciais garantindo que essas soluções cheguem ao produtor".

PAINELISTAS

Os painelistas participantes nesta quinta-feira já apresentaram um pequeno aperitivo do que será o debate.

George Hiraiwa, diretor de inovação da SRP (Sociedade Rural do Paraná) e coordenador da Agro Valley, ressalta que a inovação tecnológica vem evoluindo de maneira importante desde 2016, quando foi realizado o primeiro Hackathon Smart Agro, dentro da programação da Expo Londrina – maratona que busca soluções inovadoras para o segmento.

“Cito também a chegada de novas tecnologias, como blockchain, IA (Inteligência Artificial), machine learning e nanotecnologia, que elevaram o patamar de serviços das empresas e startups”, pontua.

Hiraiwa acrescenta que todo esse aparato tecnológico vem contribuindo de maneira relevante para acelerar o setor biológico no controle de doenças e pragas, por meio de tecnologias que possibilitam maior rapidez na busca de novas variedades, mais resistentes e produtivas. “Outro setor a ser destacado é o das agfintechs, que estão levando cada vez mais o crédito de forma rápida e eficiente.”

George coordena o Agro Valley, ecossistema de inovação do agro da região de Londrina. “O hub Cocriagro é fruto da estratégia que a governança do nosso ecossistema direcionou. Precisávamos de um instrumento no formato de hub para conectar os diversos atores que atuam na inovação – academia, instituições de pesquisa e empresas (cooperativas, redes varejistas, bancos e consultorias), para que saibam se posicionar num ecossistema de inovação e conviver com as startups”, explica.

Segundo ele, em pouco tempo de operação há existem várias empresas de diversos setores colocando em prática a jornada da inovação dentro das suas práticas cotidianas.

“A tecnologia está cada vez mais presente no dia a dia das pessoas e no campo não será diferente. Os próprios equipamentos e maquinários a cada ano vêm embarcados com novos hardwares, possibilitando novas experimentações por parte do produtor. O digital veio para facilitar o entendimento do conhecimento, e o consumidor, cada vez mais empoderado, irá nortear as ações”, conclui.

No Hub Cocriagro, hoje, participam 18 empresas, cerca de 40 startups , sete instituições de pesquisa e seis empresas juniores.

INTEGRADA

Wellington Xavier Furlaneti, gerente técnico da Integrada Cooperativa Agroindustrial, pretende apresentar no evento o trabalho da cooperativa como fonte para transferência de tecnologia, além de mostrar o portfólio de produtos e serviços e a conexão com startups e os hubs de inovação.

“Quando falamos em tecnologia voltada ao agro, o que vem à mente num primeiro momento são máquinas, softwares, mas a inovação em si vai muito além. Hoje a cooperativa tem várias iniciativas que envolvem genética, biotecnologia, manejo sustentável. Adotamos uma série de práticas recomendadas para os nossos clientes que contribuem para uma melhor performance e um melhor uso dos insumos.”

A Integrada inaugurou recentemente uma unidade de inovação em Assaí, com uma área de 29 hectares destinada à experimentação.

“Tudo o que há de mais novo – insumos, manejo, condução de lavouras, equipamentos, programas para auxiliar o dia a dia do cooperado – passam pela nossa base de testes em Assaí. Essa área serve de subsídio tanto para os cooperados como para o departamento técnico, já que muitas atualizações são realizadas lá. O profissional pode ver no campo a tecnologia em pleno funcionamento antes de fazer a recomendação e levar para o nosso produtor.”

A Integrada faz parte do Cocriagro, sendo um dos mantenedores do hub. Também integra os hubs AgTech Garage e Cubo Itaú. “Estamos cada vez mais inseridos nesse contexto dos hubs para ampliar a relação com as startups e estar sempre antenados a alguma iniciativa que possa ser aplicada na prática no campo.”

A Integrada promove anualmente, geralmente na primeira quinzena de fevereiro, o Dia de Campo Institucional, o Agrotec, que deverá retomar sua edição presencial em 2023, com a presença de parceiros e fornecedores da cooperativa que expõem o portfólio de produtos e serviços. “O produtor vê no campo os testes não só dos produtores, mas também consegue avaliar novos maquinários, novas tecnologias.”

A inovação passa também pela melhor tomada de decisão dos cooperados. A Integrada adquiriu, em 2021, 47 estações meteorológicas, com o intuito de trazer assertividade maior sobre a questão climática. “Isso é muito importante porque o produtor tem uma fábrica a céu aberto, e muitas vezes existe a dúvida. Trata-se de uma ferramenta que tem contribuído muito”, conclui.

TECNOLOGIA

Sibelle de Andrade Silva, diretora do Departamento de Apoio à Inovação para Agropecuária do Ministério da Agricultura, pretende mostrar como a tecnologia no campo, principalmente a agricultura digital, vem ajudando empreendedores rurais de todos os portes.

“Abordarei como a conectividade em todas as suas formas, do G ao 6G, passando por temas como TV White Spaces e projetos de ampliação da conectividade rural, serão um meio de levar inovação de forma definitiva para todo o campo brasileiro.”

A painelista também mostrará algumas políticas públicas que vêm contribuindo para que o agro brasileiro não apenas siga rumo a patamares mais elevados de produtividade e qualidade, como também sirva de exemplo para o mundo.

“Quero compartilhar como o exemplo dos ecossistemas de inovação do Paraná e de outras regiões do país podem ser uma vitrine ativa para diminuir a heterogeneidade do desenvolvimento de redes para inovação no agro em todo o Brasil, servindo de exemplo para alavancar ecossistemas similares de norte a sul, por meio da constante troca de experiências e da contínua sinergia entre investidores, setor produtivo, setor público e academia”, completa.

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ARROJO

A coordenadora destaca que o Paraná comporta alguns dos ecossistemas de inovação mais arrojados do país. “A força do cooperativismo, tradicional no Estado, se traduz em governanças para inovação cada vez mais robustas no campo. As cooperativas do Estado, não por acaso, avançam posições ano a ano no rol das mil maiores empresas do país, e a força do agronegócio na região é determinante para esse quadro.”

Sibelle considera que a tecnologia anda lado a lado com a segurança alimentar.

Dados recentes mostram o agravamento da situação de fome no mundo, sendo que países em desenvolvimento sofreram ainda mais no período pós-pandemia.

A FAO [Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura] mostra que cerca de 2,3 bilhões de pessoas no mundo (29,3%) estavam em insegurança alimentar moderada ou grave em 2021 e que quase 924 milhões de pessoas (11,7% da população global) enfrentavam insegurança alimentar em níveis graves.

“Custos de produção e questões climáticas pressionam esse cenário. E não tenho dúvida de que a ciência, a tecnologia e a inovação serão a solução. A própria agricultura digital pode, por exemplo, reduzir perdas e desperdícios nas cadeias produtivas da semente à mesa do consumidor, aumentando a disponibilidade de alimentos.”

O levantamento Radar AgTech de 2020/2021 mostra que quase 20% das startups do agro atuam exatamente no tema de novos alimentos e ingredientes. “Isso mostra que há tantas oportunidades quanto desafios e que as sementes para um futuro cada vez mais inovador e com segurança alimentar estão plantadas em nosso país, principalmente na pujança dos seus ecossistemas de inovação”, conclui.

A 15ª edição do EncontrosFolha tem realização do Grupo Folha de Londrina, com parceria do Sebrae, com patrocínio da Integrada, Unimed e apoio da Frezarin Eventos.

SERVIÇO:

15ª EDIÇÃO DO ENCONTROSFOLHA

28/07 – 9h – Aurora Shopping

Tema: Agricultura digital: a tecnologia como protagonista no campo

Mediador: Lucas Ferreira, coordenador estadual estratégico do Sebrae Paraná e gestor do agronegócio na região norte do Estado

Painelistas

- Sibelle de Andrade Silva, diretora do Departamento de Apoio à Inovação para Agropecuária do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento

- Wellington Xavier Furlaneti, gerente técnico da Integrada Cooperativa Agroindustrial

- George Hiraiwa, diretor de inovação da SRP (Sociedade Rural do Paraná) e coordenador da Agro Valley

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