Agência Estado
De São Paulo
O governo brasileiro solicitou à Argentina adiar, por uma semana, a reunião sobre o regime automotivo. O encontro estava previsto para o dia 12 deste mês. ‘‘Precisamos de mais tempo para uma nova reflexão e para a preparação de novas propostas, já que elas envolvem a participação de vários ministérios’’, disse o embaixador José Alfredo Graça Lima, subsecretário geral de Assuntos de Integração, Econômicos e de Comércio Exterior.
De acordo com o embaixador, o pedido foi feito esta semana e o governo argentino ficou de responder nos próximos dias. ‘‘Acredito que a resposta será positiva, e, nesse caso, a reunião será realizada em São Paulo entre os dias 19 e 20 deste mês’’, antecipou.
Indagado sobre o risco de o acordo automotivo comum do Mercosul não ser assinado até o dia 29 de fevereiro, quando expira o acordo transitório firmado entre o Brasil e a Argentina no último dia de dezembro do ano passado, o embaixador disse que a possibilidade de uma nova prorrogação ou acerto transitório está descartada.
‘‘Mantida a situação atual, vamos aplicar a TEC de 35% para os carros argentinos’’, afirmou. O embaixador reconheceu que a negociação é complexa, embora já existam pontos em comum sobre a base do que poderia vir a ser o regime comum automotivo .
Há consenso, por exemplo, sobre um comércio compensado entre os dois países, sobre o conteúdo regional e sobre as tarifas que serão aplicadas à importação de autopeças. Mas o regime comum é muito mais complexo do que apenas esses três pontos. Envolve, por exemplo, os incentivos vinculados ao desempenho exportador e o conteúdo nacional nos veículos fabricados em cada país do Mercosul.
Em resposta a declarações de representantes do setor automotivo argentino de que as propostas do Brasil têm como objetivo atrair as indústrias daquele país, o embaixador foi enfático: ‘‘O Brasil não tem interesse algum de incentivar o desinvestimento na Argentina. Mas como assegurar isso apenas por meio de um acordo comercial? Aí está o nó dessas negociações.’’ O ideal, acrescentou Graça Lima, ‘‘seria chegar a um acordo não necessariamente puro, mas que levasse a uma situação de livre comércio’’.

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