A comercialização dos produtos orgânicos ainda é considerada pelos produtores um dos gargalos que dificultam a expansão da cadeia produtiva. Para auxiliar na solução dessa dificuldade, o Sebrae no Paraná promove hoje, em parceria com a Emater e Senar, o 1º Encontro de Comercialização de Café Orgânico do Norte Pioneiro. O evento, que acontece a partir das 13h30 na Associação Comercial e Industrial de Jacarezinho (Acija) deve reunir 35 produtores e cinco compradores do Paraná, São Paulo e Minas Gerais.
O objetivo é promover, de maneira concentrada, o contato entre os produtores certificados da região e as empresas compradoras estreitando o relacionamento comercial e incentivando futuros negócios. ''Há um potencial grande na região, já tradicional no plantio de café. Esse diferencial nos permite trabalhar para criar uma marca de origem, fazendo com que a região se torne uma referência em café orgânico.'', explica Odemir Capello, consultor do Sebrae no Paraná responsável pelo projeto de agricultura orgânica na região, que possui 30 produtores certificados e diversos em estágio de transição da cultura convencional para a orgânica, processo que demora em média três anos.
Para o produtor de café orgânico Issamu Higa, de Santa Amélia (63 km ao sul de Cornélio Procópio), o Encontro de Comercialização deve trazer bons resultados fora da safra, que foi colhida em julho. ''Espero comercializar todas as 300 sacas que tenho'', conta. Se comercializadas ao preço de mercado, que gira em torno de US$ 170, as sacas devem render ao produtor cerca de R$ 120 mil reais no evento. ''Sempre enfrentamos dificuldade com a comercialização, mas o consumo está crescendo e o Paraná está virando referência nacional nessa produção.'', explica Issamu.
Segundo ele, outro fator que ajudaria a fortalecer o setor e incentivar a comercialização seria uma legislação que regulamente a produção de orgânicos no Brasil. Mesmo com algumas dificuldades, o produtor avalia como muito positiva a sua conversão para a produção orgânica feita em 1997, depois de 60 anos na cultura convencional. ''Existe toda a compensação de fazer uma agricultura limpa, sem problemas para saúde e meio ambiente. O preço também é em média 50% maior'', ressalta.
Outro participante do Encontro de Comercialização do Café Orgânico, Carlos Lopes, avalia que iniciativas como essa ajudam a promover a melhor distribuição e consumo do produto. ''Acho que estamos entrando em outra fase, que é a de superar as dificuldades de distribuição. As pessoas estão procurando cada vez mais os alimentos saudáveis e percebendo o valor do orgânico.'', avalia.
Segundo o consultor do Sebrae, Odemir Capello, a meta é aumentar a participação do café orgânico nos Estados Unidos e Europa, que já recebem a maior parte do produto da região. ''Apesar de estar crescendo o consumo no Brasil, a maior parte da produção é voltada para o exterior, onde o consumo é maior.'', ressalta. A região produz perto de 10 mil sacas beneficiadas de café orgânico, o que representa praticamente 10% da produção nacional.
A produção de café orgânico no Brasil cerca de 150 mil sacas/ano ainda é baixa comparada com a do México, que é o maior produtor de café orgânico do mundo, com uma média de 500 mil sacas por ano mas de baixa qualidade.

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