Terminou ontem em Londrina o 1° Encontro Nacional da Soja. O evento, que começou na última quarta-feira, no Parque de Exposições Ney Braga, reuniu agrônomos, técnicos agrícolas, produtores e estudantes de agronomia para discutir as boas práticas de manejo na cultura da oleaginosa. O encontro abordou temas relacionados ao manejo de solo, controle de plantas daninhas, tecnologia de aplicação de insumos, entre outras atividades que fazem parte do cotidiano do produtor, mas que nem sempre são adotadas de forma correta pelos agricultores por falta de informação.
O evento também serviu para mostrar as novidades do setor, como novos métodos de cultivo, atraindo agricultores interessados em melhorar o desempenho da lavoura, como é o caso do produtor Joaquim Amaro Fernandes, do município Kaloré (Norte). Ele percorreu pouco mais de 100 quilômetros até Londrina para buscar novidades a respeito de adubação e calagem de solo. O objetivo dele é melhorar o rendimento da sua propriedade que possui em torno de 500 hectares. Fernandes afirma que informação há, mas falta vontade de alguns produtores correrem atrás.
O encontro foi organizado pelo grupo de estudos Luiz de Queiroz, formado pelos alunos do 4° ano do curso de agronomia da Escola Superior Luiz de Queiroz (Esalq/USP) de Piracicaba (SP). Luiz Henrique Weber, chefe da comissão organizadora, afirma que ainda há muita falta de informação por parte dos produtores em relação ao manejo das lavouras de soja, por isso resolveram criar o encontro.
Outro problema, destaca ele, é a falta de conhecimento do agricultor em relação ao comportamento do mercado. Por isso, um dos palestrantes do encontro foi o presidente da consultoria Céleres, o engenheiro agrônomo Anderson Galvão, que falou sobre preços e comercialização.
Enoir Cristiano Pellizzaro, agrônomo da cooperativa C.Vale, afirma que esse tipo de evento serve também como uma troca de informações entre técnicos. Segundo ele, as pragas estão cada vez mais complexas, por isso é importante discutir o manejo em lavouras de soja.
Weber conta que a escolha dos temas do encontro se deu de acordo com os problemas mais recorrentes da cultura da oleaginosa nas principais regiões produtoras do País. Um deles, explica o coordenador, é a aplicação inadequada de defensivos agrícolas, assunto colocado na palestra do engenheiro agrônomo Nelson Harger, do Instituto Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater).
Harger avalia que a realidade hoje do campo em relação à metodologia de aplicação é preocupante porque casos de deriva, que é a dispersão do agroquímico pelo vento, têm sido recorrentes no Brasil. "Quando usamos mal o produto, trazemos problemas econômicos e para a saúde", explica o especialista. O agrônomo destaca que não aplicar com ventos acima de 10 km/h, regular os bicos adequadamente a cada tipo de aplicação e utilizar uma velocidade adequada durante a pulverização já é um bom começo.
"Precisamos atingir o alvo que está abaixo da barra e não o vizinho", brinca Harger sobre o problema da deriva. Outra questão que o agrônomo abordou foi a produção de fumaça durante a aplicação. Segundo ele, esse é um erro muito comum durante o processo e essa fumaça não atinge o alvo.

Produção
Dados da Companhia Nacional do Abastecimento (Conab) apontam que o Brasil deve produzir na safra 2014/15 entre 194,39 e 199,97 milhões de toneladas de grãos, sendo cerca de 91,74 milhões de toneladas de soja. Só o Paraná deverá produzir 17,20 milhões de toneladas da oleaginosa, volume 18% superior em relação ao ciclo 2013/14, segundo dados do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab).

Imagem ilustrativa da imagem Encontro da Soja em Londrina debate manejo e mercado
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