Encontro da cadeia da soja é esvaziado
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quarta-feira, 26 de julho de 2006
Alexandre Inacio<br>Agência Estado 
São Paulo- O encontro dos representantes da cadeia da soja, realizado ontem, em São Paulo, para tratar, entre outros temas, do embargo à soja de novas regiões desflorestadas da Amazônia, foi esvaziado, pois não contou com a participação de algumas entidades representativas dos produtores, que estavam convidadas.
A Federação da Agricultura do Mato Grosso (Famato) e a Confederação de Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) recusaram-se a participar do encontro com as Associações das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) e Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec).
O motivo do cancelamento dos produtores foi o anúncio feito pelas entidades, na última segunda-feira, de que não comprariam mais soja proveniente de novas áreas desmatadas da Amazônia. ''Essa medida foi precipitada. Da forma como que o anúncio foi feito, parece que apenas os produtores são os grandes vilões da história'', afirma Amado Oliveira, consultor e membro da Comissão de Meio Ambiente da Famato.
Na avaliação da entidade, as tradings também são responsáveis pelo desflorestamento da Amazônia, assim como os próprios produtores. ''Pelo modelo de crédito adotado pelo agronegócio no Brasil, em que as empresas financiam os produtores, é possível afirmar que elas também possuem responsabilidade nessa questão'', afirma.
Segundo o representante, a Famato e outras entidades representativas haviam participado de algumas reuniões na capital paulista, organizadas pela Abiove. A idéia sempre foi criar uma coalizão de produtores, associações e empresas para esclarecer a opinião pública mundial sobre a realidade da produção de soja no Brasil, em especial no Mato Grosso. ''Fomos surpreendidos com esse anúncio da Abiove e Anec, que, em nossa avaliação, não têm interesse em uma parceria da cadeia'', afirma.


