Arquivo FolhaMontadoras reduziram encomendas e ritmo de fornecimento das empresas de autopeças deve ser ainda menor em fevereiro: demissões já estão acontecendo e podem crescer em marçoA indústria de autopeças vai demitir um grande número de trabalhadores se até março o cenário econômico não se reverter. A previsão é do presidente do Sindicato Nacional da Indústria de Componentes (Sindipeças), Paulo Butori. Segundo ele, as montadoras reduziram as encomendas em 20% em janeiro e o ritmo de fornecimento deve ser ainda menor em fevereiro.
‘‘Fevereiro é um mês curto e costuma ser mais fraco. Mas, se em março - um mês longo e sem carnaval - nada mudar, o número de demissões vai aumentar’’, disse Butori. Segundo ele, as empresas do setor já estão demitindo. Mas o Sindipeças ainda não tem cálculos do número de cortes e nem da redução do efetivo para os próximos meses.
‘‘Esperávamos uma reação do mercado ainda em janeiro’’, destacou o presidente do Sindipeças. Ele lembra que qualquer medida que o governo venha a adotar até março só vai ser sentida entre maio e junho. Butori aponta as altas taxas de juros como principais culpadas pela queda de mercado.
‘‘Podem dizer que no caso dos carros foram mantidas taxas de juros competitivas; mas nas outras prestações das famílias os juros aumentaram 20%’’, destaca. ‘‘O dinheiro não é elástico e, por isso, feitas as contas, o sujeito decide por adiar a troca de carro’’, completa.
Os fabricantes de componentes ainda não foram avisados sobre a possibilidade de as montadoras voltarem a dar férias coletivas para reduzir o ritmo de produção. ‘‘Por enquanto são informações não confirmadas’’, diz Butori. Mas ele diz estar preocupado ‘‘porque o consumidor se retraiu’’.
A indústria de autopeças alcançou faturamento de exportação de US$ 4 bilhões em 1997, 11% mais do que no ano anterior. Para este ano Butori espera US$ 4,2 bilhões. Mas segundo ele, a balança do setor voltará a ser deficitária porque as montadoras continuam importando em grandes quantidades. No ano passado, o setor de autopeças registrou o seu primeiro déficit - US$ 400 milhões. O faturamento total foi de US$ 16,5 bilhões.

mockup