Encol e grupo estrangeiro fecham acordo
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segunda-feira, 08 de setembro de 1997
Agência Folha São Paulo 
A Encol e um grupo estrangeiro de investidores confirmaram ontem a assinatura, no último sábado, de um contrato de opção de compra e venda da construtora de caráter irrevogável. O contrato diz que esses investidores estrangeiros terão prioridade em adquirir o controle acionário da construtora caso uma auditoria - ainda a ser contratada - constate que a empresa é viável. O aporte de recursos para a empresa finalizar suas obras e pagar suas dívidas também depende da auditoria.
O processo deve durar 90 dias. Até que esteja concluído, o atual acionista majoritário, Pedro Paulo de Souza, continuará no comando da empresa. Souza não poderá transferir suas ações para outras pessoas ou empresas que não constem do contrato durante a auditoria.
Os investidores estrangeiros que estão interessados na Encol são os sócios da empresa norte-americana de securitização World Mae e a CB Commercial, uma das maiores empresas do setor imobiliário dos Estados Unidos. Entre os sócios da World Mae está o empresário argentino Miguel Madanes. A participação de cada sócio estrangeiro, porém, ainda é objeto de negociações e não há nada definido, disse Beno Suchodolski, advogado da World Mae no Brasil.
Inicialmente, o contrato prevê que, caso a transferência do controle acionário seja efetivada, Pedro Paulo ficará com participação de 15%. O empresário argentino terá 23% e os norte-americanos, 46%. Os 16% restantes, nas mãos de funcionários (10%) e dos familiares de Pedro Paulo (6%), continuam inalterados.
Os investidores estrangeiros esperam o resultado da auditoria para tomar uma decisão, porque têm dúvidas quanto ao patrimônio líquido da Encol. Segundo Pedro Paulo, seria de R$ 400 milhões, mas auditores da empresa Deloitte, em relatório preliminar feito no início do ano, constataram que o patrimônio líquido é negativo em R$ 500 milhões.
Os investidores afirmam que o relatório parcial da auditoria Deloitte não é consistente. Até que a nova auditoria seja concluída, não há certeza de que haverá aporte de recursos financeiros para a Encol. Devemos fazer um empréstimo só para manter a empresa, disse o advogado, que não quis revelar a quantia.
Segundo Suchodolski, o empréstimo serviria para pagar custos mínimos e despesas com advogados. As dívidas trabalhistas, de R$ 40 milhões, deverão ser quitadas somente após o reinício das obras, previsto para daqui a 60 ou 90 dias.
Depois de concluída a auditoria e comprovada a viabilidade da Encol, a World Mae pretende securitizar os recebíveis (créditos com a venda de apartamentos) da Encol. Seriam securitizados de US$ 150 milhões a US$ 350 milhões. Também não foi definido quais os empreendimentos que serão priorizados para a conclusão das obras.
O advogado da World Mae no Brasil reconhece que, se a Justiça decretar a falência da Encol, o contrato assinado perde validade.


