Encargos são salgados demais
No Dia do Comerciante, - que o calendário marca 16 de julho - o presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Londrina (Sincoval), Uzier de Carvalho, diz que não há muito o que comemorar. ''A gente não tem uma tradição de comemorar a data. Acho que a melhor forma de comemorar seria fechando as lojas no dia para a gente descansar. Mas na situação em que se encontra o país, temos que trabalhar mais do que o horário previsto'', comenta.
A carga tributária é uma das maiores reclamações da categoria, na opinião de Uzier. Com a carga tributária alta a gente tem que pensar duas vezes para investir, contratar funcionários. Estamos num país onde o funcionário ganha pouco, mas para nós ele custa caro - quase o dobro'', enfatiza. A mesma opinião tem a contabilista Vanessa Cristina dos Santos. Na opinião dela, os encargos sociais têm um peso considerável nas contas das empresas. ''O pequeno comerciante está cada vez mais sufocado com os tributos. A nossa carga é salgada demais'', afirma ela.
Só para ter idéia, em um salário mensal de R$ 300,00, os encargos trabalhistas e sociais representam um acréscimo de 62,62%. Isso significa um custo total para a empresa de R$ 489,00, não considerando o que o empregado deixa de produzir durante os dias em que não trabalha (final de semana).
Entre os principais obstáculos para o comerciante, Vanessa, observa que a maioria é obrigada a comprar a vista os produtos e vendê-los a prazo. ''É nisso que eles perdem dinheiro. Se é um empresa que não tem capital de giro para se manter até efetivar as vendas, ela terá que entrar no capital de terceiros, ou seja, pagar juros para bancos, cheque especial, agiotas'', argumenta Vanessa, completando: ''O comerciante paga o imposto na hora que emite a nota''.
Na avaliação do presidente do Sincoval a crise pela qual passa o governo federal também tem refletido diretamente no comércio. ''Tudo vai bem quando a auto-estima está em alta. Esta situação provoca uma auto-estima baixa no brasileiro'', completa Uzier, recomendando àqueles que querem abrir um comércio a pensar muito antes. ''Hoje, a maioria do comércio não passa de dois anos''. (V.B.)





