Encargos para o consumidor ainda estarão altos
A redução da alíquota do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), de 15% para 6% ao ano, não deverá ter grande impacto sobre o valor das prestações pagas pelo consumidor. O IOF de 15% certamente encarecia as operações de empréstimo, mas as elevadíssimas taxas cobradas por bancos e financeiras (principalmente por conta da inadimplência) vão continuar a fazer das compras a prazo opção contra-indicada.
Veja o impacto da queda do tributo num empréstimo de R$ 1 mil, a ser pago em seis vezes, com juro de 5% ao mês. Com alíquota de 15% ao ano, cada parcela sairia por R$ 205,65 e a taxa efetivamente paga (incluindo o IOF) seria de 6,36%. Com a nova taxa de 6% ao ano, a prestação cai para R$ 200,38, ou apenas R$ 5,27 menos, e o juro efetivo, cai para 5,53%. Ao fim do empréstimo, a economia seria de R$ 31,62.
Os cálculos são do coordenador de Finanças do Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais (Ibmec) de São Paulo, José Nicolau Pompeo. O IOF altera o valor da parcela porque também é financiado.
Se o juro for maior, o desconto na prestação aumenta, mas não muito significativamente. Confira o exemplo de um empréstimo de R$ 1 mil, em seis vezes, com juros mensais de 12% ao mês. Com IOF de 15%, cada prestação ficava em R$ 256,52 e a taxa efetiva, em 13,91%. Já com IOF de 6%, o valor da parcela recua para R$ 248,37 e a taxa efetiva, para 12,74%. Nesse caso, ao fim de seis meses, o consumidor pagaria R$ 48,90 a menos.
Para Pompeo, a queda do IOF pouco vai melhorar a vida de quem compra a prazo. O efeito é mais psicológico, diz ele, salientando que a redução da prestação será pouco significativa.





