Encargos não impedem geração de empregos
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sexta-feira, 28 de novembro de 2003
Alan Maschio<br> Reportagem Local 
Em pauta entre os empresários desde o início da tramitação da reforma tributária no Congresso, os encargos sociais não podem ser apontados como os principais responsáveis pela dificuldade brasileira com a geração de empregos. E apesar de não poder ser tomada como um fator isolado, a redução dos juros é essencial para a retomada da atividade industrial e consequente aumento da oferta de trabalho. Esta é a opinião do assessor econômico da Secretaria de Trabalho do Município de São Paulo e doutorando em Economia pela Universidade de Campinas (Unicamp), Alexandre de Freitas Barbosa, que esteve ontem em Londrina para proferir palestra sobre ''O Desafio do Emprego no Brasil'', na 14Semana de Economia, promovida pelo Departamento de Economia da Universidade Estaudal de Londrina (UEL).
Para o economista, o Brasil ainda sofre com a política econômica implantada nos anos 1990, quando o País apresentava crescimento anual do Produto Interno Bruto (PIB) de 1,9%, três vezes inferior ao crescimento registrado entre os anos de 1945 e 1980. Os juros altos e a abertura comercial pouco criteriosa colaboraram para ''elevações fantásticas na taxa de desemprego'', como afirma Barbosa. Entre 1989 e 2001, o volume de desempregados em escala absoluta subiu de 2 milhões para 8 milhões, segundo o economista. Com os setores de agricultura e de indústria comprometidos, coube, nesse período, aos prestadores de serviços se responsabilizarem pela geração de empregos.
Barbosa concorda, em parte, com as afirmações de empresários que creditam ao alto custo da geração de empregos as dificuldades para aumento da oferta de trabalho. Mas lembra que quando as indústrias querem crescer, não são os impostos que as impedem de contratar, mas sim a falta de dinheiro para expansão. ''Ninguém investe com dinheiro próprio. E no nosso contexto, fica claro que os altos custos do crédito impedem o crescimento.''
Também apontada como uma das causas para os altos índices de desemprego no País, a falta de qualificação profissional já não convence como geradora de desemprego. Como prova, Barbosa aponta para estatísticas que indicam aumento de 120% no total de desempregados universitários entre 1992 e 2001. ''As pessoas e o Estado estão, de certa forma, cumprindo suas partes, em busca de educação. Mas esses números provam que curso superior não é mais garantia de emprego'', diz, lembrando ainda que em São Paulo o desemprego avança com mais ímpeto sobre os universitários do que sobre analfabetos.


