Responsáveis por 12% do Produto Interno Bruto (PIB), as montadoras não querem abrir mão de bater recorde de produção neste ano, mesmo com a previsão de queda das vendas por conta da alta dos juros e da redução de prazo dos financiamentos. As indústrias prometem cumprir a meta de produção de 2,1 milhões de veículos, embora três delas - Volkswagen, General Motors e Ford - tenham anunciado o cancelamento do trabalho aos sábados e a redução da jornada.
Um outro recorde, no entanto, também poderá ser batido: o de carros encalhados nos pátios das empresas e das revendas caso o mercado se mantenha com a atual média de negócios. ‘‘Não adianta vendas no atacado se não tiver venda no varejo’’, diz o presidente da Associação Brasileira dos Concessionários Fiat (Abracaf), Humberto Pereira Carneiro. ‘‘Já perdemos o Natal, pois novembro e dezembro serão meses difíceis’’, avalia o presidente da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores, Sérgio Reze.
Apesar da apreensão por parte dos distribuidores, que já falam em retirar carros somente em consignação ou deixá-los nos pátios das fábricas, as montadoras mantêm suas programações. O diretor-superintendente da Fiat, Giovanni Razelli, diz que a empresa continua acreditando na saúde da economia.
O presidente da Volkswagen do Brasil, Herbert Demel, admite que pode haver uma pequena queda na venda de carros em função da alta nos juros, ‘‘mas será passageira’’. O vice-presidente da empresa, Miguel Jorge, não vê riscos imediatos de queda de emprego ou da atividade econômica pois, em sua opinião, ‘‘nós já vivemos crises piores’’. A Volks, no entanto, está suspendendo a produção de Gol e Parati em três sábados consecutivos na fábrica de Taubaté. No setor de caminhões também não há previsão de mudanças na produção, embora a fábrica da Ford, no bairro do Ipiranga, em São Paulo, tenha anunciado a redução temporária da jornada de 46 para 42 horas semanais.

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