Empréstimos para habitação serão descentralizados
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quinta-feira, 16 de janeiro de 2003
Agência Estado 
São Paulo O Ministério das Cidades pretende estimular a diversificação de agentes de crédito para habitação. Companhias hipotecárias, cooperativas de crédito e outras modalidades estão em estudo. O objetivo é desconcentrar a oferta de financiamento, hoje nas mãos dos grandes bancos de varejo e da Caixa Econômica Federal (CEF), maior operadora do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE).
''Queremos atrair novos operadores que repassem o crédito'', afirmou a secretária-executiva do Ministério, Ermínia Maricato, à Agência Estado. Segundo ela, a entrada de novos agentes é um modo de viabilizar os empréstimos bancários para a classe média, hoje a camada mais desassistida pelo sistema habitacional.
''O déficit de moradias não será resolvido apenas com o atendimento dos mais pobres. É preciso chegar também à classe média'', defendeu. Ermínia acrescentou que a falta de crédito para a classe média a leva a se ''apropriar de subsídios destinados às camadas mais pobres''.
A ampliação da rede de crédito terá um efeito colateral positivo, conforme Ermínia. Trata-se da maior geração de recebíveis imobiliários, aumentando o mercado de secutirização e destravando o Sistema de Financiamento Imobiliário (SFI), criado em 1994 para financiar a produção e aquisição de moradias com recursos captados no mercado financeiro e de capitais.
A secretária-executiva admite, porém, que o estímulo ao crédito habitacional só será completo quando outras amarras forem retiradas. Para tanto, o Ministério pretende criar a Agência Nacional de Regulação de Financiamentos Imobiliários. Ainda sem data para ser implantado, o órgão se dedicará à criação de condições favoráveis ao desenvolvimento do crédito no País.
Ela reconhece que os bancos privados não têm aplicado uma quantidade satisfatória de recursos no setor, mas adverte que ''trazê-los de volta para o financiamento habitacional não depende de uma medida de força do governo, embora haja instrumentos para isso.'' Ela condicionou o retorno dos recursos à revisão dos instrumentos que sustentam o sistema.


