Empréstimos já ficam mais caros por conta da CPMF
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 20 de janeiro de 1997
Agência Estado 
Quem recorrer ao crédito pessoal e ao financiamento de bens ou serviços poderá arcar com taxas de juros mais altas do que as atuais, por conta da CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira) que começa a vigorar quinta-feira. Pesquisa feita pelo Procon de São Paulo entre 9 e 10 de janeiro demonstra que alguns bancos já se anteciparam à cobrança da CPMF e subiram suas taxas nos empréstimos e no crédito direto ao consumidor.
No empréstimo pessoal, a taxa média saltou de 5,93% em dezembro para 6,04% em janeiro. No crédito direto ao consumidor, de 4,73% para 4,79%. Para o economista da Associação Comercial de São Paulo, Marcel Solimeo, a CPMF também tende a diminuir a oferta de crédito, por causa da redução de liquidez no mercado a partir da vigência do tributo.
As taxas sobre o
crédito direto ao
consumidor subiram
de 4,73% para 4,79%
O consumidor não pagará a CPMF porque o dinheiro não será depositado em sua conta. O valor financiado será creditado diretamente na conta do vendedor do bem ou do prestador de serviço. O consumidor arcará com a CPMF se pagar a dívida por meio de cheque ou sacar o dinheiro em sua conta para quitar o financiamento.
No crédito pessoal, arcará com a CPMF quem receber ou pagar o empréstimo por intermédio de conta corrente, prática comum nos bancos. Nas financeiras, o dinheiro é repassado ao cliente por meio de cheque, que poderá ser sacado no banco. Se depositar o cheque ou o dinheiro em conta corrente, o cliente pagará a CPMF quando fizer um saque.
O titular do cartão de crédito arcará com a CPMF se a fatura for debitada em sua conta corrente ou fizer o pagamento por meio de cheque. Só escapará da CPMF quem tem algum recebimento em dinheiro e utilizá-lo diretamente na quitação da dívida. Nesse caso, quem tem o pagamento automático da fatura por meio de débito em conta corrente, precisa avisar o banco para suspender o desconto. Empresas de cartões de crédito e serviços também avisam que a CPMF poderá afetar os preços dos serviços, como as anuidades e taxas de juros.


