Até sexta-feira passada, os juros nas linhas de crédito não tinham sido alterados por bancos e financeiras. Tecnicamente, o aumento do juro básico de 30% para 45% ao ano no dia 4 e a elevação do compulsório sobre depósitos a prazo nos bancos para 26,5%, que diminui a oferta de dinheiro nas linhas de crédito, poderiam exercer pressão de alta sobre os juros dos empréstimos. Mas parece não haver espaço para esses reajustes, porque as taxas cobradas já são exorbitantes e o consumidor está retraído.
Mas, ainda assim, o custo dos empréstimos vai subir a partir de hoje, por causa da nova forma de cálculo do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). Até sexta-feira, o IOF era de 6% ao ano, mais o adicional de 0,38%, também ao ano. Agora, o adicional de 0,38% será aplicado integralmente sobre o financiamento, mesmo em prazos abaixo de um ano. Numa operação de R$ 10 mil, por seis meses e juros de 5% ao mês, o IOF sobe de R$ 197,42 para R$ 225,05 (veja quadro).
O vice-presidente de Controladoria da Nossa Caixa Nosso Banco, Joaquim Elói Cirne de Toledo, explica que, mesmo sem uma elevação das taxas, quem fizer um financiamento terá de arcar com um imposto mais elevado e, consequentemente, prestações mais pesadas. Isso ocorrerá principalmente nos negócios com número de prestações inferior a 12 meses.
O matemático financeiro José Dutra Vieira Sobrinho afirma que o cheque especial será o mais afetado. Um cliente que está devedor no banco em R$ 1 mil pagava, até sexta-feira, R$ 5,03 de IOF. A partir de hoje, terá de pagar R$ 8,80. ‘‘Isso significa um acréscimo de 66%.’’
Além disso, por causa da previsão de alta das taxas de desemprego e de inadimplência, o critério para a concessão de crédito será mais rigoroso. ‘‘Os bancos vão ficar ainda mais exigentes para aprovar um empréstimo’’, diz Ricardo Malcon, vice- presidente regional da Associação das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento (Acrefi).
O economista-chefe da Forex - Centro Brasileiro de Orientação de Finanças Pessoais, Marcos Silvestre, alerta: ‘‘Com o risco do desemprego, deve ser poupado todo o dinheiro possível.’’
Na sexta-feira, o juro do cheque especial estava, em média, em 9,9% ao mês; o do rotativo do cartão de crédito, em 11,1%; o do crédito pessoal, em 6,5%; e o do financiamento de carro, em 4,1%.Arquivo FolhaDinheiro caroQuem fizer um financiamento a partir de hoje terá de arcar com um IOF mais elevado e, consequentemente, com prestações mais pesadasAgência Estado

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