A Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac) divulgou, esta semana, a pesquisa de taxas de juros do mês de agosto. O levantamento mostra que a variação no ano é de 295,91% na modalidade de empréstimo pessoal junto a financeiras. No cartão de crédito, a taxa acumulada é de 230,32% e, no cheque especial, de 209,42%.
Para o economista Luiz Eduardo Sebastiani, do Conselho Federal de Economia, a prática abusiva de juros ''é mais imoral do que ilegal, fruto de um sistema financeiro pernicioso, que estabelece as taxas de juros mais elevadas do mundo''.
Sebastiani explica que, como os juros são livres, o comércio lança suas taxas de acordo com aquilo que julga necessário para se proteger do risco previsível de inadimplência e do custo de captação de recursos. O cálculo, no entanto, na maioria dos casos, é superestimado e o consumidor acaba sendo lesado. ''Numa prestação de 12 meses, na quarta prestação o produto já está pago. O restante é lucro'', avalia.
No caso dos empréstimos bancários, as instituições cobram do cliente juros de 18% ao ano, que é a taxa Selic. Mas a política de definição das taxas não páram aí. Aos 18%, os bancos ainda somam outros percentuais referentes a taxa de administração e o risco de inadimplência existente e do crédito que está sendo emprestado.

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