Entre as reclamações registradas no Procon sobre o mau atendimento a idosos, a que mais preocupa o órgão é o empréstimo consignado. Segundo o chefe regional do órgão, Flávio Henrique Caetano de Paula, diariamente esse público tem sido vítima desse tipo de financiamento. ''As financeiras fazem um marketing agressivo, alcançam os clientes idosos que muitas vezes nem querem fazer empréstimo, mas acabam fazendo. Esse público é interessante para as financeiras, pois é dinheiro na certa e garantido já que vem descontado direto da folha de pagamento'', disse Caetano.
De acordo com ele, inúmeras vezes esses idosos são pegos de surpresa e assinam um contrato sem ter consciência do quanto estão pagando de juros, do número de parcelas e, em alguns casos, sem ter noção de que esse dinheiro será descontado da aposentadoria. ''Muitos deles nem fazem o empréstimo para uso próprio, e sim para os parentes, filhos, netos. É preciso ter muito cuidado'', alertou o chefe do Procon.
O problema, segundo ele, se torna ainda mais grave quando as financeiras vinculam o empréstimo consignado à venda de um produto. Há poucos dias, contou Caetano, um senhor de 82 anos comprou - à prestação - um produto para melhorar a saúde, que não surtiu efeito. Depois de não ver melhoras, o senhor foi atrás de quem havia lhe vendido o medicamento e descobriu que tinha caído num golpe: ao comprar o produto ele tinha contratado um empréstimo. ''Isso é muito perigoso e tem se tornado comum. Recomendamos que os consumidores idosos evitem fazer empréstimo, principalmente se for por telefone. Mas se for necessário, que tomem todos os cuidados e fiquem atentos quanto às taxas de juros e número de parcelas'', orientou Caetano.
Se realmente for necessário entrar em um financiamento, o Procon recomenda que os consumidores idosos procurem agências credenciadas ao INSS e façam uma pesquisa de mercado para contratar a empresa que oferecer o menor juro. (E.Z.)

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