Empréstimo bancário alcança maior nível
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quarta-feira, 07 de fevereiro de 2007
Gustavo Freire<BR>Agência Estado 
O saldo dos empréstimos bancários cresceu 20,7% em 2006 e alcançou a marca dos 34,3% do Produto Interno Bruto (PIB). O porcentual, de acordo com o chefe do Departamento Econômico (Depec) do Banco Central (BC), Altamir Lopes, é o maior desde abril de 1996, quando a participação do crédito no PIB estava em 34,4%. O pico histórico desse indicador ocorreu em fevereiro de 1995: 37% do PIB. Em valores absolutos, o volume dos empréstimos bancários aumentou dos R$ 607,023 bilhões do final de 2005 para R$ 732,835 bilhões em dezembro passado.
Os dados do BC mostram também que a taxa média de juros do chamado crédito livre (operações sem direcionamento obrigatório) teve redução de 6,1 pontos porcentuais e chegou aos 39,8% ao ano, menor nível da série histórica iniciada pelo BC em junho de 2000. Mas o spread destas operações (diferencial entre taxas de captação e aplicação de recursos pelos bancos) teve queda de apenas 1,4 ponto porcentual, terminando o ano em 27,2 pontos porcentuais.
Para o chefe do Depec, o spread não caiu de forma mais acelerada em função do aumento da inadimplência e da entrada das pequenas e médias empresas no mercado de crédito. ''Como estas empresas ainda não são muito conhecidas, os bancos tendem a ser mais cautelosos na concessão de crédito'', explicou Altamir. A cautela se traduz em taxas de juros mais elevadas que as cobradas das grandes empresas, que procuraram no ano passado explorar fontes alternativas de financiamento.
A taxa média de juros caiu ainda mais nos empréstimos para o consumidor, que terminaram o ano passado em 52,1% ao ano. Em dezembro, especificamente, a taxa caiu 1,5 ponto, o que deve ter refletido, segundo Altamir, o esforço dos consumidores para pagar suas dívidas com o cheque especial. ''É um movimento normal que ocorre todo final de ano, quando as pessoas recebem o 13º salário e procuram quitar seus empréstimos mais caros'', explicou.
Com taxa de juros média de 142% ao ano, o volume de concessões de crédito do cheque especial chegaram a cair 11% em dezembro. ''É um porcentual que se encontra dentro da média histórica verificada para o mesmo período dos últimos anos'', disse o chefe do Depec. Apesar dessa queda, o volume de empréstimos do cheque especial ainda terminou 2006 com um crescimento de 7,2%.
Apesar de ter chegado aos 34,3% do PIB, o crescimento de 20,7% do crédito no ano passado ficou abaixo dos 21,7% de aumento ocorrido em 2005. ''A redução dos juros incidentes sobre o estoque dos empréstimos bancários e a diminuição na velocidade de crescimento do crédito com desconto em folha foram responsáveis pelo aumento menor da expansão dos empréstimos bancários durante o ano passado'', explicou Lopes.
Em 2006, os empréstimos com desconto em folha tiveram um incremento de 52% e fecharam o ano em R$ 48,175 bilhões. Em 2005, o crescimento do consignado ainda era superior aos 80%. A expansão das operações de leasing para pessoas físicas tiveram durante o ano passado um incremento superior ao dos empréstimos com desconto em folha. ''O leasing foi muito usado na compra de automóveis e de máquinas e equipamentos de informática'', explicou o chefe do Depec. No ano passado, estas operações tiveram um aumento de 61%.


