Empresas vendiam álcool clandestinamente
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terça-feira, 12 de abril de 2005
Vera Barão<br>Reportagem Local 
O Núcleo de Repressão aos Crimes Econômicos (Nurce), órgão ligado à Polícia Civil, desencadeou operação ontem no Estado para combater a venda clandestina de álcool hidratado para automóveis. Em Londrina, cinco empresas de envase comercializam o produto irregularmente. Uma delas está localizada no Jardim Bandeirantes (zona oeste) e as demais nos Conjuntos Vivi Xavier, Maria Lúcia, Parigot de Souza e Alpes (zona norte).
Ao invés de venderem álcool anidro para uso industrial, elas estavam comercializando álcool hidratado para veículos, o que é proibido pela Agência Nacional de Petróleo (ANP). Segundo o delegado do Nurce, Francisco Alberto Caricati, elas usavam a fachada de envase de álcool e comercializam o produto para automóveis a preço mais baixo do que os praticado no mercado.
Em Londrina, cinco pessoas que estavam nas empresas na hora da ''batida'' policial foram detidas e levadas à 10 Subidivisão Policial para prestar esclarecimentos. Elas foram liberadas ontem mesmo e disseram que não sabiam que o álcool vendido era utilizado em veículos. Caricati afirmou que os donos das empresas - nenhum foi encontrado durante a operação- serão indiciados em inquérito por crime contra a ordem econômica. Uma das empresas será investiga ainda por suspeita de sonegação fiscal, já que não foram encontradas notas que comprovassema origem do produto.
De acordo com o delegado, as usinas e revendedoras que forneciam o produto às empresas foram identificadas e deverão ser ouvidas no inquérito. ''Cada uma dessas empresas de envase de Londrina vendem em média 200 mil litros com lucro de R$ 0,10 o litro'', contou Caricati, acrescentando que o dono de uma das empresas tem posto de combustível em Maringá. ''Ele usava o mesmo CNPJ da empresa de Maringá para a empresa de Londrina. Lá ele vende o álcool a R$ 1,40 e aqui a R$ 1,19'', informou Caricati.
A operação foi acompanhada por um técnico químico e por um representante do Comitê Sul Brasileiro de Qualidade de Combustíveis. De acordo com o técnico-químico, José Lourenço Júnior, não foi encontrado nenhum outro tipo de álcool nas empresas senão o hidratado. ''Se elas vendem para uso industrial, teriam que vender em embalagens pequenas, mas pelo que verificamos chegavam a comercializar mais de 50 litros para uma única pessoa'', disse ele, observando que o álcool para uso industrial não pode ser vendido em bombas como ocorre nas empresas. ''Na verdade, as empresas funcionavam como minipostos em fundos de quintais, uma atividade totalmente irregular'', relatou Lourenço.
O assessor da Receita Estadual em Londrina, José Antonio Correia, disse que os documentos apreendidos serão analisados. Ele informou que somente a prefeitura do município pode cassar alvará dos estabelecimentos. Além de Londrina, a operação também encontrou irregularidades em empresas das regiões de Umuarama, Palotina e Paranavaí. Contando com Londrina, ao todo foram detidas 15 pessoas.


