Curitiba As mil maiores empresas que atuam no Brasil estão otimistas sobre a atuação do próximo governo. Essa foi uma das constatações da pesquisa Panorama Empresarial-Brasil, divulgada ontem pela Deloitte Touche Tohmatsu. De acordo com o consultor José Aécio Pereira da Costa Jr., 81% das empresas esperam manter ou aumentar seu volume de investimentos no ano que vem, 65% acreditam que o nível de produção também crescerá em relação a 2002 e 47% esperam aumento dos níveis de emprego.
A geração de empregos não deve acompanhar o crescimento da produção, segundo Costa Jr., pois 92% das empresas têm sofrido a pressão do aumento de custos de insumo e serviços. Por isso, a ordem é aumentar a produtividade através da modernização e automação. No incentivo à produção agrícola, industrial, educação e saúde, a expectativa em relação ao novo governo é boa para cerca de 60% dos entrevistados.
As maiores preocupações dos executivos se referem à política cambial e à capacidade do novo governo em atrair investimentos estrangeiros ao País já no próximo ano. A segurança também causa apreensão. Sobre os principais problemas que o Brasil está enfrentando atualmente, 73% citaram a alta carga tributária, 66% as altas taxas de juros, 48% o desemprego e 46% a má distribuição de renda.
Os executivos opinaram sobre quais deveriam ser as prioridades do governo do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante seu primeiro ano de mandato. Oitenta e oito porcento citaram a reforma tributária, 65% o crescimento econômico e 62% a reforma previdenciária. O controle da inflação aparece em quarto lugar, mencionada por 53% dos entrevistados. ''Acredito que a cultura da inflação foi superada pelo mercado, que não suporta mais repasses nos preços. É preciso que a economia cresça para ter mais mercado'', explica.
As tendências apontadas pela pesquisa são de que os juros caiam (49% dos entrevistados), que a carga tributária se mantenha (68%) e de que o Produto Interno Bruto (PIB) aumente (75%). A estimativa média de crescimento do PIB seria de 2,3%.
A pesquisa teve uma amostragem de 102 empresas, que faturam juntas R$ 95 bilhões, com nível de confiança de 95% e margem de erro de 5,8%.

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