Empresas vão fracionar compras e pedir desconto
Fracionar as importações através de embarques em valores abaixo de R$ 10 mil ou substituir financiamentos de menos de 360 dias por descontos nos preços. Estas são basicamente as alternativas das empresas importadoras para evitar os efeitos negativos das medidas de restrição às importações anunciadas anteontem pelo governo federal, segundo avaliação de João Emílio Granato, consultor em comércio exterior. Outra possibilidade, naturalmente, é substituir os produtos importados por nacionais.
As medidas do governo obrigam os importadores a contratar operações de câmbio no mesmo dia em que desembaraçarem a mercadoria no porto. A empresa deposita o valor da compra num banco, que libera o valor no dia da quitação do contrato. Isto no caso de compras com financiamentos de até 180 dias. No caso de financiamento de 181 a 360 dias, o câmbio deve ser contrato 180 dias antes da data do pagamento.
Granato espera uma queda brusca nas importações em abril, até que os importadores reavaliem suas compras no exterior. Segundo o consultor, o fracionamento das compras no exterior em parcelas inferiores a R$ 10 mil pode aumentar os custos de importação de 2% a 15%, dependendo da empresa.
Indústria - O vice-presidente da Federação da Indústria do Paraná (Fiep), Zulfiro Bósio, avalia que as restrições às exportações vão beneficiar a indústria paranaense, principalmente nos setores eletroeletrônico, automóveis e confecções. Muitos empresários preferiam importar eletrodomésticos porque podiam pagar em 180 dias. Os longos prazos possibilitavam aos importadores girar o dinheiro da venda dos produtos no mercado financeiro por meses.
Zulfiro Bósio tem uma empresa que trabalha com iluminação e importa peças de cobre. Ele diz que vai substituir o produto importado pelo similar nacional.





