Empresas transformam resíduos em dinheiro
PUBLICAÇÃO
sábado, 19 de fevereiro de 2011
Eli Araujo <br> Reportagem local 
A opção pela sustentabilidade, mais do que uma estratégia de marketing ecológico, está se tornando um negócio altamente rentável para algumas empresas do Paraná. Os resíduos, que antes tinham o lixo e mananciais como destinos, agora são reaproveitados ou transformados pela indústria em outros produtos, inclusive alimentos.
Um exemplo é o trabalho realizado pela Sooro, com sede em Marechal Cândido Rondon, no oeste do Paraná. A empresa, que foi criada há 10 anos e é a primeira do gênero no Brasil, recolhe o soro do leite em laticínios que se localizam num raio de até 200 quilômetros. São cerca de 600 mil litros de soro por dia que após o processo de secagem são transformados em 36 mil quilos de soro em pó, uma proporção média de 18 por 1. E o negócio está em expansão. Até a metade deste ano, a Sooro vai ativar uma nova unidade de secagem, não apenas para o soro mas também para o leite in natura.
O soro é um subproduto do leite que sobra na fabricação de queijos. Apenas 6% do leite é aproveitado neste processo; outros 6% formam o soro e o restante é água. O soro é rico em gordura, lactose e proteínas e depois de seco é usado pela indústria alimentícia na fabricação de margarinas, requeijão, massas e bebidas. Pode ser usado também em fábricas de ração animal.
Mesmo sendo rico em nutrientes, o dono da Sooro, Willian da Silva, estima que cerca de 90% de todo soro gerado nos laticínios do Brasil é jogado fora. Este aproveitamento é bem maior em países da Europa, segundo ele, onde o processo de secagem do soro começou há mais tempo.
O pior, segundo o empresário, é que o soro é altamente poluente. De acordo com alguns estudos, o subproduto polui 100 vezes mais que o esgoto. Em uma comparação simples, 100 mil litros de soro poluem o equivalente a uma cidade de 50 mil habitantes.
Gestão Ambiental
Em Maringá, a Cocamar Cooperativa Agroindustrial implantou o programa de gestão ambiental nas 62 unidades de recebimento, armazenamento de grãos e comercialização de produtos químicos, e nas 11 unidades industriais da cooperativa. O programa de gerenciamento de resíduos sólidos está sob a responsabilidade da Master Ambiental, de Londrina.
Os técnicos da empresa identificaram que a destinação de mais de mil itens de resíduos poderia ser melhorada, gerando uma receita de cerca de R$ 3 milhões por ano. O trabalho consiste em fazer a logística reversa de inúmeros produtos, tais como equipamentos de segurança, os uniformes usados pelos funcionários, as pilhas de bateria e as lâmpadas fluorescentes, e até a compostagem de produtos orgânicos. ''São coisas que reduzem o custo de um lado e geram receita por outro lado'', afirma o engenheiro Fernando Barros, responsável pela implantação do programa.
E o que acontece no setor de baterias automotivas no Brasil é uma prova de que a preservação ambiental é possível. Por força de lei, toda bateria usada em veículos no mercado nacional deve ser reciclada. Em todo o País, existem inúmeras empresas que realizam este trabalho. Uma das maiores é a Tamarana Metais, localizada em Tamarana, que recicla 3 milhões de quilos de baterias por mês, o que representa 10% do mês nacional.
O processo de reciclagem tem aproveitamento de 100%. São separados o chumbo, o plástico e a solução ácida. A maior parte do material reciclado, 85%, é usada novamente na fabricação de outras baterias, e os outros 15% são usados na fabricação de equipamentos eletroeletrônicos.
A reciclagem de baterias no Brasil corresponde a 60% do chumbo usado na indústria. O restante é importado de outros países porque o Brasil não produz este metal. ''Quando eu reciclo uma bateria, deixo de retirar o minério da natureza. A reciclagem é um negócio como outro qualquer, mas é importante por ser o grande negócio do futuro'', afirma o empresário Ary Sudan, da Tamarana Metais.


