Empresas tiram projetos da gaveta
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 14 de abril de 2005
Renato Stancato<br>Agência Estado 
São Paulo - A promulgação da Lei de Biossegurança está fazendo as empresas de sementes tirarem da gaveta seus projetos para lançamento de transgênicos. Dentro de dois anos, é possível que a soja transgênica resistente ao herbicida glifosato deixe de ser a única opção de cultivo de produto agrícola geneticamente modificado.
A Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) já aprovou dois produtos para plantio comercial: a soja resistente a glifosato e o algodão resistente ao ataque de lagartas, ambos da empresa Monsanto. No caso do algodão, ainda faltam os registros da variedade nos termos da Lei de Sementes. Assim, apenas as sementes de soja podem ser vendidas comercialmente na safra 2005/06.
Estão na mesa da CTNBio, para aprovação comercial, quatro tipos de milho resistente a insetos, três tipos de milho resistente a herbicida, dois tipos de algodão resistente a herbicida, um tipo de arroz resistente a herbicida e um tipo de soja com alto teor de ácido oléico.
Para o presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Sementes e Mudas (Abrasem), Ywao Miyamoto, o impacto da entrada dos transgênicos será limitado nesta primeira safra. ''Como só vai haver a soja modificada, não haverá grande mudança no faturamento do setor'', diz. Segundo Miyamoto, o valor do mercado de sementes foi de R$ 4,5 bilhões no ano passado (2004/05). ''Este ano, é possível que chegue a R$ 5 bilhões, mas o peso dos transgênicos será pequeno no resultado.''
A Monsanto, detentora da patente da soja ''Roundup Ready'' (resistente ao herbicida glifosato), ainda não arrisca uma projeção. Segundo seu diretor de Comunicações, Lúcio Mocsányi, a empresa ainda não tem uma estimativa da oferta de sementes de soja transgênica na safra 2005/06. Além de comercializar sementes com sua própria marca, a Monsanto licenciou a tecnologia para outras empresas de sementes, como a Coodetec e a Embrapa. Segundo Mocsányi, a prática será mantida.
Além da própria Monsanto, umas das multinacionais que pretendem explorar o filão da biotecnologia é a Bayer Cropscience. Segundo Marc Reichardt, presidente da empresa no Brasil, devem ser lançadas sementes transgênicas de arroz e algodão dentro de dois anos. ''Nos dois casos, serão produtos modificados para ter resistência a herbicidas e a insetos'', explicou o executivo.


