Se janeiro e fevereiro já foram meses ruins para empresas brasileiras com dívidas em dólares no exterior, os meses de março e abril serão piores ainda. Em março, as empresas brasileiras têm dívidas vencendo num valor total de US$ 1,929 bilhão. Em abril, o valor pula para US$ 2,344 bilhões. No total, serão US$ 4,273 bilhões de dívidas a serem pagas nesses dois meses.
Janeiro e fevereiro já foram dramáticos para as empresas brasileiras, embora esses meses concentrassem menos vencimentos de dívidas do que março e abril. Foram US$ 650 milhões em janeiro e US$ 1,696 bilhão neste mês de fevereiro.
Até setembro do ano passado, a regra para a maioria das empresas brasileiras era renovar as dívidas quando chegava o vencimento. Por causa da crise da Rússia, o mercado se fechou. Agora, com a crise no Brasil, não há perspectiva sobre quando esse mercado será reaberto.
Todas as dívidas de empresas brasileiras no exterior estão sendo pagas no vencimento. Isso significa que as empresas terão de gastar o valor equivalente em reais para quitar seus débitos internacionais. Muitas empresas fizeram contratos de ‘‘hedge’’ (proteção) para se prevenirem contra eventuais desvalorizações do real. Ainda assim, isso resolve apenas parte do problema: terão como pagar as dívidas, mas ficarão sem o dinheiro externo barato. Se pagarem tudo o que devem, com uma taxa de câmbio em torno de R$ 1,90 por US$ 1,00, as empresas brasileiras desembolsarão R$ 3,665 bilhões em março e R$ 4,453 bilhões em abril. Antes da desvalorização do real - quando um dólar valia R$ 1,21 -, gastariam muito menos para liquidar seus débitos: R$ 2,334 bilhões em março e R$ 2,836 bilhões em abril.

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