Três empresas brasileiras resolveram suspender novos contratos de importação de soja e milho industriais do Paraguai por suspeitar que os produtos sejam geneticamente modificados. As firmas suspenderam os contratos após os resultados positivos de quatro testes realizados nos últimos dois meses, informou ontem o operador Roberto Acosta, da Cerealpar, agente corretora de cereais, de Curitiba.
A última suspensão ocorreu no dia 30 de outubro, quando a firma curitibana enviou um ofício a Diagro S.A., em Ciudad del Este (PY), fronteira com Foz do Iguaçu. Segundo a nota, a operadora ‘‘está enfrentando dificuldades neste final de ano para a colocação de produtos do Paraguai no Brasil, principalmente de soja’’.
Dias antes, em 16 de outubro, a Corn Produtos do Brasil, de Campinas (SP), enviou um documento semelhante a Diagro S.A., cancelando as importações. ‘‘Das cinco grandes empresas do Brasil, quase todas suspenderam, momentaneamente, a importação de soja e milho. Elas alegam que a marca dos produtos feitos com a matéria-prima não pode correr risco de boicote nas vendas’’, explica Acosta.
Conforme ele, em junho, quando iniciou a temporada de importações, foi encontrado o primeiro lote com produtos modificados geneticamente. O operador não soube dizer quantas toneladas foram reprovadas nos testes, porém afirmou que o número ‘‘não é nada inexpressivo’’.
A restrição aos carregamentos paraguaios ocorre porque as empresas que utilizam a matéria-prima exportam parte da mercadoria, já industrializada, aos países da Europa e ao Japão. Eles exigem, por exemplo, que a carne de suínos e aves esteja acompanhada de certificado comprovando que os animais não foram alimentados com produtos transgênicos.
Parte das suspeitas sobre a origem de soja transgênica no Paraguai foi levantada no dia 19 passado, quando fiscais do Ministério da Agricultura apreenderam seis t de sementes modificadas (115 sacas) numa fazenda em Serranópolis (75 km a sudeste de Foz do Iguaçu). Conforme o agricultor Antenor Bampi, 65 anos, o lote havia sido comprado no Paraguai.
Gil Magalhães, do Ministério da Agricultura, em Foz do Iguaçu, disse ontem ser é impossível avaliar o impacto dos indícios de transgênicos no país vizinho. Em sua opinião, é natural que ocorram suspensões porque o perigo de prejuízos financeiros em virtude de boicotes dos compradores de mercadorias industrializadas é iminente.

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