Curitiba - As empresas estão começando a suspender as exportações em consequência da valorização do real. A FGVTN Brasil Ltda, de Curitiba, metalúrgica que produz acessórios e ferragens para móveis, suspendeu contratos de exportações dessas peças para a Itália e países do Mercosul. Por conta disso, a empresa já deu férias coletivas para os 300 empregados duas vezes este ano, disse o empresário Antonio Gerson Fabrício, diretor administrivo da FGVTN.
Segundo Fabrício, as exportações representavam 7% do faturamento da empresa. ''Não era muito, mas ajudava a equilibrar custos'', disse. O empresário está revoltado com o governo federal que incentivou as empresas brasileiras a modernizar as estruturas de produção, com investimento em equipamentos e contratação de pessoal para depois prejudicar as exportadoras com essa política de controle cambial.
''O pior é que o governo exige tanta eficiência das empresas brasileiras que exportam para depois liberar, sem qualquer tipo de taxação, a importação de produtos sem qualidade da China e enfiam essas porcarias no mercado brasileiro'', afirmou.
Segundo Fabrício, ao mesmo tempo que as empresas exportadoras estão perdendo rentabilidade com a queda da moeda, estão sendo penalizados com o aumento no custos de produção. Cerca de 65% da produção da FGVTN utiliza como principal insumo o aço, insumo que aumentou 80% este ano. ''Não conseguimos repassar esses custos para os contratos e optamos pela suspensão até a situação melhorar'', afirmou.
Para o deputado federal Max Rosemann (PMDB-PR), a opção por essa política de valorização do real pode provocar a paralisação do País. ''O Brasil só não parou por causa das exportações. E agora esse setor começa a parar também'', avisou. Foi esse o alerta dado por Rosemann ao ministro da Fazenda Antonio Palocci, na última quinta-feira. O parlamentar foi eleito o porta-voz do setor madeireiro do Paraná, que está paralisando as exportações e começando a demitir.
As empresas madeireiras já perderam a capacidade de repor seus estoques e muitas decidiram suspender as atividades para não comprometer o patrimônio. Segundo Rosemann, o custo de produção do setor exportador subiu enquanto a receita caiu com a queda do faturamento em dólares. A receita das empresas voltou a ser a mesma de três anos atrás, cujo valor é insuficiente para bancar os custos de produção, salários e tarifas públicas ''que só sobem'', disse o parlamentar.
Rosemann citou levantamento de empresas no Paraná que faturavam US$ 300 mil dólares para bancar custos de R$ 1 milhão. Hoje, as mesmas empresas precisam faturar US$ 400 mil para bancar o mesmo milhão, mas os custos de produção já estão acima desse valor, afirmou.

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