''Nunca antes na história deste país...'' A frase que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva adora usar para iniciar discursos falando de seus feitos
positivos também poderia ser usada para expor uma peculiaridade da economia
brasileira, em especial nestes quase seis anos de mandato do presidente.
''Nunca antes na história deste país...'' os bancos brasileiros lucraram tanto e em tão pouco tempo. Nesta semana os jornais estamparam manchetes mostrando que o banco Itaú obteve no primeiro semestre deste ano um lucro líquido de R$ 4,016 bilhões, superando o Bradesco que divulgou ter lucrado no mesmo período R$ 4,007 bilhões. Em duas décadas, o Itaú foi o banco que mais
lucrou em apenas um semestre.
Segundo o jornalista e analista econômico Joelmir Betting publicou em seu site www.joelmirbeting.com.br até quando perdem com a inadimplência, os bancos ganham. ''No sistema bancário brasileiro, a inadimplência, atraso de prestações superior a 90 dias, subiu de 4,2% para 5% no ano passado. Média de todas as linhas de crédito dos bancos comerciais, privados e estatais. Na faixa das pessoas jurídicas, as empresas, a indimplência chegou a 2,7%. Nos empréstimos a pessoas físicas, a 7,6%.
Para os bancos, nenhum problema. Se o risco do calote é agora de 5%, na média do sistema, o prêmio de cobertura desse risco, cobrado de todos os mutuários pontuais, que são 19 em cada 20, esse prêmio subiu de 36,1% para 43,4% do spread total - aquela diferença entre o que os bancos pagam aos poupadores e o que eles cobram dos tomadores. Ora, é o maior prêmio de risco da história deste país. Ou da história do capitalismo no mundo capinanceiro'', comenta Beting e pergunta: ''é a inadimplência que explica os juros nas nuvens ou são os juros nas nuvens que explicam a inadimplência? Afinal, a infecção é a causa da febre ou a febre é a causa da infecção?
O presidente do Sindicato das Empresas de Consultoria, Assessoria, Perícias e Contabilidade de Londrina (Sescap-Ldr), José Joaquim Ribeiro concorda. Segundo ele, o Brasil se transformou no paraíso dos bancos. ''É o melhor negócio do mundo. Hoje os brasileiros são reféns dos bancos'', diz ele, referindo-se às altas taxas de juros praticadas pelos bancos ao oferecer qualquer empréstimo. O problema, comenta Ribeiro, é que o dinheiro poderia e deveria estar circulando, criando riquezas para o Brasil e isto não acontece. ''Só quem ganha são os bancos'', diz ele.
Ribeiro, além de presidente do Sescap-Ldr, durante muitos anos foi presidente da Casa do Empreendedor de Londrina. A Casa do Empreendedor é uma instituição financeira criada para fomentar pequenos empreendimentos emprestando dinheiro a juros baixos. ''Com poucos recursos conseguimos gerar inúmeros negócios que, por sua vez, passaram a ser o sustento de centenas de famílias. É óbvio que os bancos são instituições que visam lucro, mas o que se vê no Brasil é um absurdo'', argumenta Ribeiro.
Ele cita como exemplo do descompasso o financiamento para casa própria. ''Conforme informações do Consórcio União, de Londrina, se a pessoa quer comprar ou reformar um imóvel e precisa de um crédito de R$ 50 mil, por exemplo, para pagar em 10 anos, as parcelas, através do consórcio, são de R$ 535,00, enquanto que no financiamento bancário, o valor da prestação saltaria para R$ 894,00. No final dos 120 meses quem optou pelo financiamento bancário terá pago quase R$ 43 mil a mais. Sabemos que são sistemas de financiamento diferentes, mas por aí já dá para ver o lucro dos bancos'', comenta Ribeiro.
Segundo ele, a sangria provocada pelos juros e taxas bancárias é o dinheiro que falta para investir na produção, na melhoria das empresas, no crescimento da economia como um todo. ''Hoje os custos para manter uma conta bancária aberta são muito grandes. Há bancos que cobram R$ 60 só de manutenção. Nós sempre recomendamos que empresas pequenas tenham contas em no máximo dois bancos e, se possível, em apenas um'', afirma Ribeiro.
Fonte: Sindicato das Empresas de Consultoria, Assessoria, Perícias e Contabilidade de Londrina (Sescap-Ldr)

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