Uma idéia na cabeça, pouco dinheiro nas mãos e muita vontade de ser seu próprio patrão. Em geral, é nesse contexto que nascem os negócios inusitados que perduram no mercado com poucos - ou às vezes nenhum - concorrente à altura. Nessa linha entram as empresas sobre rodas, que não têm sede, e funcionam com objetivo de ir até o cliente.
Quando saía com seu Fiat Tipo, ano 1996, abarrotado de sapatos, a londrinense Cláudia Sartori Minetto nem imaginava que um dia teria uma verdadeira sapataria móvel. Há mais de dez anos, ela começou vendendo os sapatos femininos da fábrica que o marido representava, enquanto trabalhava como bancária. Além das colegas do banco, conquistou clientes que eram funcionárias de outras empresas.
Quando percebeu que as vendas só cresciam, Cláudia deixou o emprego e passou a encher o seu carro de calçados para ir até as clientes. Mas o Fiat Tipo ficou pequeno para o negócio em ascensão e, há três anos, deu lugar a uma van que foi transformada internamente para cumprir a função de uma loja.
A idéia surgiu como forma de solucionar as dificuldades enfrentadas com o antigo veículo. ''Se não havia sala apropriada nas empresas para atender as clientes, eu fazia as vendas no banheiro ou no estacionamento. Quando chovia, era um transtorno. Então tive a idéia da van. Vi o que precisava e fui atrás de empresas que pudessem fazer as adaptações para mim'', conta a empresária, que investiu R$ 84 mil no veículo zero quilômetro e mais R$ 15 mil para equipá-lo.
A van Bella Poly tem gaveteiros com capacidade para 70 modelos de calçados femininos - sandálias, botas, tênis e demais sapatos - separados por numeração. O automóvel foi revestido internamente com material sintético, ganhou ar condicionado, isolamento térmico, iluminação especial, sofás, espelhos, banquetas e carpete vermelho. Há também bagageiros no teto, como os de ônibus.
Tanto conforto fez as vendas de Cláudia triplicarem em relação ao período que usava um carro comum. Além dos calçados, foram incorporados ao negócio bolsas, carteiras e cintos. ''As clientes gostam bastante não só do conforto, mas da praticidade. O público atendido pela van são mulheres que trabalham o dia todo e dificilmente vão ao Centro da cidade ou ao shopping'', define a empresária. No veículo, ela vende sapatos na linha popular a partir de R$ 29,90, e há cerca de sete meses abriu uma loja no Centro de Londrina para trabalhar com calçados mais sofisticados.
Rodando cerca de 700 quilômetros por mês, a van tem duas funcionárias (que se revezam na direção e nas vendas) e atende mulheres que trabalham em indústrias, lojas, escritórios, clínicas, hospitais, escolas, universidades, entre outros estabelecimentos. O atendimento é feito nos intervalos do horário de trabalho e as mulheres podem provar os calçados dentro da van ou fora, onde também são dispostos tapetes, banquetas e espelhos.
A empresária diz que o negócio é rentável, porém, trabalhoso. Exige bom relacionamento com a direção das empresas e cuidado para as clientes não se endividarem. ''Por isso, a van passa em média a cada três meses em cada estabelecimento'', diz. Os gastos também não são dos menores. ''Tenho firma aberta, funcionárias registradas, pago encargos e, além do combustível, tem a manutenção do sistema de cartão de crédito, que por ser via satélite, custa o dobro do normal''.
E quando o veículo tem que ir para a oficina? ''Daí, por alguns dias, o Tipo volta à ativa'', diz a empresária.

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