De 1999 a 2008, a Prefeitura de Londrina doou 175 terrenos públicos a empresas - a maioria delas já instaladas no Município - para construírem suas sedes próprias. No entanto, somente 57 deles, ou 33% do total, receberam algum tipo de obra. Dos 118 restantes, 39 ainda estão em prazo para construção. Outros 61 - 35% do total - já foram retomados pelo Município e 18 esperam revogação das doações. Os dados são do Instituto de Desenvolvimento de Londrina (Codel).
Para o presidente da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), Nivaldo Benvenho, a ''matemática mostra'' que doar terrenos por si só não é a melhor política para incentivar as empresas. ''Mas não podemos simplesmente abortar essas medidas. A cidade precisa de uma política de atração e incentivo mais arrojada'', afirma.
Segundo Benvenho, principalmente para o pequeno empresário, a sede própria significa um sonho. ''Mas às vezes, ele se endivida para fazer a obra, compromente seu capital de giro e não consegue concluir a construção'', salienta. De acordo com ele, a Acil defende melhorar o procedimento para as doações. ''É preciso avaliar antes se a empresa tem condições de arcar com os custos da obra.''
O problema, no entanto, vai além disso, segundo o presidente da Acil. ''Há empresas que receberam terrenos da Prefeitura em locais sem licenciamento para as atividades comercial e industrial'', aponta. E, por isso, não conseguiram construir.
Somente nos lotes 70 e 70 A, localizados na zona leste, há pelo menos 10 empresas nesta situação. Uma delas é a Cromadora Londrinense. Ela recebeu a doação em 2007, por meio da lei municipal 10.411, mas ainda não pode dar início às obras. ''A área ainda não está liberada para construir'', afirma o proprietário, Edson Claudio de Angeli.
Atualmente, a empresa funciona no centro da cidade e paga R$ 1.600 de aluguel num imóvel de 150 metros quadrados. No terreno de 2.500 metros quadrados do lote 70, a Cromadodra projeta uma nova sede de 800 metros quadrados. Com 10 empregados atualmente, a empresa precisará criar outras cinco vagas. Angeli esteve na semana passada na Codel e, segundo ele, recebeu a informação de que o órgão estaria agilizando o licenciamento. ''Estou muito otimista quanto a isso'', revela.
Outra empresa que não conseguiu aproveitar o terreno de 2 mil metros quadrados da Gleba Lindóia (zona leste) doado pelo Município é a PZL. Mas o motivo foi outro. A doação foi feita em 2003, quando a razão social do empreendimento era Laktron Indústria Eletrônica. Segundo a proprietária Lúcia Francovig Piazzalunga, o principal fator que inviabilizou a obra foi a contrapartida exigida pela lei da doação (9.460): a criação de oito empregos diretos.
''O terreno era ótimo, mas não tínhamos intenção de contratar mais gente. A empresa é enxuta e boa parte das atividades é terceirizada'', justifica. O estabelecimento funciona em imóvel alugado, cujo custo mensal é de R$ 2.500. Ela conta que a PZL tinha recursos próprios para a obra, mas preferiu não arriscar diante da contrapartida de contratar mais funcionários. ''Achamos que não seria vantajoso.'' A lei que doou a área para a empresa já foi revogada.

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