Empresas sentem reflexos da crise europeia
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segunda-feira, 31 de outubro de 2011
Victor Lopes <br> <br> Reportagem Local 
O acordo realizado entre os líderes da União Europeia na última quarta-feira, em Bruxelas, colocou panos quentes - pelo menos por enquanto - na crise econômica grave que estava na iminência de explodir no Velho Continente. Entretanto, toda esta indecisão sobre quais rumos econômicos a Europa deve tomar daqui para frente tem afetado direta e indiretamente empresas paranaenses envolvidas com exportação. Empresários conversaram com a FOLHA e relataram que, em certos casos, o volume de exportação para o continente europeu chegou a cair 70% nos últimos três anos, período que engloba as crises de 2008 e 2011.
Jonas Bertão, proprietário da Prismaflex Embalagens Plásticas, de Apucarana (Norte), vende boa parte de seus produtos para a indústria moveleira, que utiliza as embalagens para facilitar e proteger os móveis. A queda na venda do Arranjo Produtivo Local (APL) de móveis para a Europa refletiu na sua empresa. ''Entre março e setembro, minhas vendas diminuíram 20% para o setor'', calcula.
Para o empreendedor, o que está ocorrendo agora ainda é reflexo da crise de 2008. Ele projeta que os problemas europeus vão continuar afetando seu negócio até o primeiro semestre do ano que vem. ''Vamos trabalhar tentando reduzir custos e mantendo nossa saúde financeira em dia. Na segunda parte do ano, as coisas devem voltar a caminhar normalmente'', estima ele, que processa cerca de 120 toneladas de embalagem por mês.
Também na Bolsas Danka, de Curitiba, o volume de exportações caiu significativamente nos últimos três anos. Marcos Zanona, um dos sócios da empresa, comenta que as exportações caíram 70% para a Europa e Estados Unidos desde 2008. ''Houve uma diminuição da procura dos clientes. Isso devido à valorização do real. Para os países do Mercosul, o volume não caiu tanto'', compara.
O empresário, que produz cerca de 6 mil bolsas por mês, diz que as exportações representam pouco no total de vendas, cerca de 5%. ''Se o dólar voltar a subir, quem sabe não retomamos a exportações de cinco anos atrás, quando começamos com o trabalho.''
Nilson Maciel de Paula, economista da Universidade Federal do Paraná (UFPR), salienta, porém, que não há motivo para alardes. Ele concorda que os que exportam para o mercado europeu podem sentir um pouco agora, mas que o Paraná não será prejudicado. ''A crise é circunscrita à Europa, que busca soluções para seus próprios problemas'', avalia.
A justificativa do economista está no fato de que os países emergentes conseguiram se moldar ao novo cenário de crises recentes. Ele lembra que em 2008 o governo brasileiro precisou ''fazer todo um esforço para dar uma guinada no setor produtivo''. ''Hoje isso não é tão necessário. Além disso, como as expectativas mudaram, as empresas conseguem buscar novos mercados com muito mais facilidade.''


