Empresas se preocupam com o social
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segunda-feira, 11 de dezembro de 2000
Cláudia Lopes De Londrina 
As empresas de Londrina estão preocupadas com a atuação social, embora muitas não saibam quais ações e atividades desenvolver. Essa é uma das conclusões da pesquisa feita pela aluna Lilian Aligleri, formada em Administração de Empresas na Universidade Estadual de Londrina (UEL) em junho deste ano e que atualmente faz mestrado em Gestão de Negócios.
Lilian disse ter ficado satisfeita com o resultado de seu trabalho, que teve como proposta levantar se as empresas de Londrina desenvolvem ações sociais. A pesquisa considerou 26 empresas dos setores industrial, comercial e de serviços, com mais de 200 empregados. Em Londrina, existem 79 empresas deste perfil, segundo ela. O número é baseado num levantamento feito junto a Acil e a Fiep, contou.
Do total de entrevistados, 89% acreditam que a empresa precisa se engajar socialmente; 74% realizam algum tipo de ação social na comunidade, de doações em dinheiro a participação efetivas em campanhas e 46% tem planos para expandir suas atividades sociais. Os empresários responderam um questionário com 24 perguntas e deram como sugestão a necessidade de uma integração maior com a universidade a fim de produzir uma metodologia para interagirem melhor com a sociedade, afirmou Lilian.
A maioria das empresas de Londrina que desenvolve ações sociais o fazem através de doações em dinheiro. Mas essas ações não têm um caráter estratégico. São feitas sem critério e de maneira paternalista. Tanto, que a maioria das empresas não utiliza os incentivos fiscais a que têm direito, disse a mestranda.
Na pesquisa, Lilian também detectou que algumas empresas consideram como ações sociais obrigações legais como creche e refeitório para os funcionários. O cumprimento de normas trabalhistas e ambientais não podem ser consideradas. Uma das indústrias apontou como ação social a evasão zero de resíduos poluentes. Mas isso é uma obrigação.
Ela contou que existem diferenças na atuação do setor industrial, que prioriza ações para os funcionários, e do comercial, que apóia atividades de educação e cultura como dança e teatro.
Do total dos pesquisados que atuam socialmente, 87% dos comerciantes divulgam estas ações, fazendo marketing. Na indústria, o índice de divulgação é de apenas 14%, disse Lilian. Também descobri que as filiais de grandes grupos nacionais e estrangeiros quase não têm ações sociais em Londrina.
Lilian advertiu, porém, que mais importante do que desenvolver ações sociais é a empresa ter responsabilidade social. A responsabilidade é um conceito mais amplo, que considera a ética e a forma de relacionamento que a empresa tem com outros agentes da comunidade como fornecedores, clientes e funcionários. Se uma empresa compra matéria-prima pirateada do Paraguai está deixando de gerar empregos no Brasil e, com isso, lesando a sociedade, exemplificou.


