Os headhunter - caçadores de talentos profissionias - serão o diferencial de empresas que pretendam ser cada vez mais competitivas no mercado globalizado. Este é um dos principais pontos abordados por Wagner Brunini, um dos quatro maiores executivos da Basf The Chemical Company na área de Recursos Humanos (RH), em entrevista especial para a Folha. O alto executivo saiu da cidade de Andirá, norte do Estado, ainda adolescente, e ganhou o mundo contratando e encaixando mais de 90 mil pessoas para os desafios empresarias do grupo que respresenta, com um faturamento anual que beira os 60 bilhões de euros.
O paranaense dá lições do novo momento da economia mundial, em que contratar pessoas certas para os lugares certos, pode representar a sobrevivência ou o desaparecimento definitivo de qualquer negócio. Ao falar dos headhunter, o executivo prefere utilizar outro termo em inglês: searching, que significa pesquisadores de talentos. ''Eles (pesquisadores) estão em feiras, congressos, reuniões enfim, em todos os locais onde possam garimpar mão-de-obra especializada e altamente competitiva'', declara Brunini, explicando que cada vez mais empresas do mundo todo lançam mão à caça de profissionais.
A busca por talentos, segundo ele, se acentuou de maneira geral devido a expansão das empresas no mundo globalizado. Ele citou como exemplo a empresa em que trabalha, quando os diretores de negócios do grupo passaram a pensar não só um determinado país, um determinado continente ou uma determinada faixa do globo terrestre. Segundo ele, os departamentos de recursos humanos tiveram que se adequar a está nova fase da Basf, considerada a maior empresa alemã e uma das maiores no setor químico mundial. ''Existe uma competição muito grande, uma demanda muito grande por talentos no mundo todo'', vaticina Brunini.
Brunini aponta que há falta de profissionais no mundo todo, tanto para funções com menor complexidade quanto para funções mais especializadas. ''Encontrar um motorista que saiba dirigir caminhões com alta tecnologia acoplada, por exemplo, está cada vez mais difícil, dentro e fora do Brasil'', exemplifica. Segundo ele, o funcionário do presente terá que possuir conhecimentos sobre as várias culturas no mundo. ''Eu não posso ter mais um funcionário que tenha apenas a experiência de trabalhar o negócio da empresa num país e depois realocá-lo para pensar a empresa globalmente'', pontua.
Segundo Brunini, as empresas precisam ter um time multidiciplinar de funcionários, que agregue diversas culturas, em termos de conhecimentos e experiências. O executivo é taxativo ao falar que há uma guerra por talentos no mundo atual, devido o ''apagão profissional'' em curso, com falta permanente de profissionais no mercado de trabalho. ''O diferencial competitivo no mundo é gente. Então eu não fico pensando só em 3,2 mil funcionários da Basf no Brasil, mas tento descobrir entre os 90 mil qual é o melhor funcionário para atender minha demanda global. Caso não encontre, tenho que procurar no mercado mundial'', explica.
Ele ressalva que o foco na tecnologia, na infraestrutura, na qualidade e na marca da empresa tem que continuar existindo. Até o investimento em pessoas, Brunini pondera que no passado também existiu. Mas o executivo destaca que devido a similaridade de atendimento, produto, produção, serviços entre empresas, o que acaba se destacando cada vez mais são as pessoas. ''O que vai dar a competitividade entre um produto e outro, é exatamente quem toca tudo isso. Quem toca tudo isso é gente'', sentencia.

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