Empresas são acusadas de vender produtos impróprios
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quinta-feira, 18 de maio de 2000
Cláudia Lopes De Londrina 
Seis fabricantes de sorvetes e duas empresas de cafés de Londrina vão responder a inquérito policial por venderem produtos impróprios para o consumo. O promotor de Defesa do Consumidor de Londrina, Hélio Cardoso, entrou com pedido de inquérito na semana passada, após receber os laudos das análises feitas pela Secretaria da Saúde do Paraná no final do ano passado. Este é um crime previsto na lei que regula a relação de consumo, afirmou o promotor. A pena varia de dois a cinco anos de reclusão ou multa.
Segundo Cardoso, os laudos da secretaria apontam que as amostras das empresas Sorvetes Papitos, Sorvetes Espumoni, Jomar Sorvetes e Palatos Sorvetes apresentaram condições de higiene insatisfatórias. A Jelgra Sorvetes apresentou contagem padrão em placa acima do limite estabelecido pelo Ministério da Saúde e, a Fábio Sorvetes, teve amostra inaceitável para o consumo.
As amostras do café Buono e do Café Bellasafra tinham percentual de impurezas acima do permitido. A última marca também apresentou sabor e cheiro não característicos ao produto.
O chefe da divisão de alimentos da secretaria estadual de Saúde, Paulo Guerra, disse que a divisão está fazendo um monitoramento intenso em todo o Paraná no setor de sorvetes. Os problemas acontecem em todo o Estado. Queremos que as empresas se adequem, afirmou.
Guerra contou que as amostras dos produtos londrinenses chegaram em Curitiba no mesmo dia, por avião. As análises, que são de rotina, demoraram 15 dias para serem feitas, período em que as amostras precisam ficar nas incubadoras.
O proprietário da Sorveteria Papitos, Odair Cruz, afirmou à Folha que o problema em seu estabelecimento já foi solucionado. Busquei a ajuda de um bioquímico, troquei o tipo de detergente e também passei a utilizar álcool na limpeza dos equipamentos, que são todos de inox. Agora, vou fazer a contraprova, disse.
Cruz reclamou que a vigilância demorou quase um ano para avisá-lo sobre o problema. Ainda tenho a amostra lacrada na sorveteria. Na ocasião, eu fiz um teste que não deu nada. A Sorvetes Espumoni preferiu não comentar o laudo da secretaria antes de receber a intimação do inquérito policial.
O dono da Café Buono, Reinaldo Buono, também disse ter solucionado o problema de impurezas. O teste da vigilância constatou 2,5% de impurezas, enquanto que o permitido é de até 1%. Por causa de uma grande escassez de produtos no final do ano passado, tivemos que comprar café que não condizia com nosso padrão. Mas já deixamos de comprar este tipo de café.
A Folha não conseguiu contatar os responsáveis pela Jelgra, Palatos, Jomar, Sorveteria Fábio e Café Bellasafra porque as empresas não constam na lista telefônica e não têm cadastro na Sercomtel.


