Empresas reivindicam o Contorno Norte
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 12 de setembro de 2016
Luis Fernando Wiltemburg<br>Reportagem Local 

A Associação das Empresas do Polo Industrial de Cambé (Aepic) quer o compromisso dos prefeituráveis cambeenses e londrinenses de empenho político para garantir a execução do contorno norte. A obra viária, prevista no contrato de concessão da Triunfo Econorte, teria sido suspensa em detrimento de benfeitorias em outro trecho. A concessionária confirma que a supressão da obra é estudada (veja box).
A mobilidade é um dos desafios que os próximos prefeitos de Londrina e região terão de enfrentar para alavancar o escoamento da produção e promover o desenvolvimento regional, conforme mostrou a FOLHA na edição de ontem.
O Contorno Norte ligaria Ibiporã até Rolândia, passando pela região Norte de Londrina e por Cambé, pela PR-445. A obra de infraestrutura desafogaria o fluxo de veículos nas áreas urbanas, além de trazer mais segurança para trechos da rodovia. A execução é uma contrapartida constante no contrato assinado em 1997 entre o governo do Paraná e a Econorte.
Mesmo assim, a obra nunca saiu do papel e corre o risco de não sair, segundo a presidente da Aepic, Rosinda Stremlow, da Horizon. "Pelo menos, é o que ouvimos falar", afirma. Instituída oficialmente há pouco tempo, a Aepic é composta, ainda, pela Imcopa, Sandoz, Brasmax, Aesa, Ingá Veículos, Rivesa, TMG, Odebrecht e Spray Drop.
Segundo Rosilda, os rumores são de que governo e Econorte planejariam deixar de lado o Contorno Norte e, em troca, a concessionária anteciparia a duplicação do trecho de 38 quilômetros entre Jataizinho e Cornélio Procópio, prevista apenas para 2021. As obras foram anunciadas pelo governador Beto Richa (PSDB) em outubro do ano passado, mas, até o momento, não foi iniciada.
Rosinda afirma que as companhias da Aepic, instaladas às margens da PR-445, têm interesse em saber se o Contorno Norte será feito, já que a opção de localização foi tomada sob influência do anúncio da infraestrutura no futuro.
Segurança
O advogado Edcácio Pereira, que representa a Sandoz na entidade, afirma que as empresas não têm a confirmação da mudança nas obrigações da empresa. "Talvez, com candidatos apoiados por governantes, tenhamos informações mais concretas", afirma.
O advogado recorda que a farmacêutica está instalada no entroncamento de uma rodovia de mão dupla, "projetada para uma época em que não havia uma demanda tão grande", que termina em outra de pista duplicada, de alta velocidade.
Ele diz que a Aepic foi criada justamente para discutir a segurança nas rodovias que as servem para acesso e escoamento de produção. "Hoje existem empresas grandes que têm transporte de funcionários, fluxo de transportadoras constantes, ou seja, uma série de fatores que provocaram não só um aumento de tráfego, mas também alteram a característica do tráfego. E essa tem sido a pauta mais constante das nossas reuniões" afirma.
Para Rosilda, caso a obra tenha sido dispensada, deveria ter ocorrido depois de ser discutido abertamente com as cidades da Região Metropolitana de Londrina.
Os candidatos a prefeito de Londrina e Cambé se encontrarão com os membros da Aepic no Parque de Exposições Ney Braga na manhã desta sexta-feira, quando devem posicionar-se sobre o tema. Ao final, a expectativa é que assinem um termo de compromisso de que lutarão para que o Contorno Norte seja executado, pressionando concessionária e governo.


