Empresas reclamam do dólar barato, mas mantêm negócios
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quarta-feira, 08 de junho de 2005
Vânia Casado<br>Equipe da Folha 
Curitiba - As empresas exportadoras estão reclamando da perda de faturamento com o dólar barato, mas mantém os negócios e não estão demitindo. Para o presidente da Federação dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção e do Mobiliário do Estado do Paraná, Geraldo Ramthun, as empresas exportadoras relutam em demitir para não colocar os contratos em risco. As rescisões nos sindicatos filiados estão estáveis.
O setor de mobiliário e de venda de madeira compensada, cerrada e de aglomerados, voltado à exportação, não pensa em demitir porque a qualquer momento o dólar pode voltar a subir de forma significativa e as empresas temem perder mercado, disse Ramthun. Segundo o sindicalista o saldo de empregos gerados pelo setor nos primeiros meses deste ano é positivo.
O faturamento com as exportações aumentou 23,81%, passando de US$ 291,3 milhões no primeiro quadrimestre de 2004 para US$ 360,6 milhões para o mesmo período deste ano. Segundo Ramthun, o setor gera 120 mil empregos em todo o Estado e ele não acredita em demissões.
No setor metalmecânico também não há demissões. O diretor do Sindicato dos Metalúrgicos de Curitiba e região, Jamil D'Ávila, disse que a situação é de calmaria. No caso das montadoras, D'Ávila disse que elas estão se beneficiando com as importações de peças. ''Se as empresas estão com queda de receita nas exportações, estão compensando com os baixos preços das importações'', afirmou.
O sindicalista citou como exemplo a montadora Volkswagen onde as exportações e as vendas no mercado interno se mantém aquecidas. A empresa só não contrata mais por falta de capacidade da planta em São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba. Estão sendo produzidos cerca de 800 veículos por dia, dos quais 650 correspondem à fabricação dos veículos Fox e CrossFox (versão esportiva).
Na montadora, estão trabalhando 6,9 mil pessoas, entre funcionários próprios e terceirizados, e mesmo assim não estão dando conta do recado. A entrega do veículo CrossFox está com atraso de duas semanas, com uma defasagem de mais de 1.000 carros porque a montadora não está dando conta de atender a demanda. Um veículo CrossFox completo está sendo vendido na concessionária por R$ 52 mil.
A tendência, segundo o sindicalista é exportar o veículo e aí a produção terá que aumentar também. ''Não há perspectivas de demissão de funcionários, pelo contrário a empresa está produzindo e faturando bem'', disse D'Ávila.


