Curitiba - A empresária Natália Anring, proprietária da loja Endossa, de Curitiba, não conseguiu ampliar o número de funcionários para o mês de dezembro, período em que as vendas de Natal exigem mais empregados no comércio. Ao contrário, a lojista sequer pode substituir uma atendente que pediu demissão no final de novembro. ''Eu e minha gerente praticamente tivemos que mudar pra cá'', brinca Natália, comentando que ampliou o seu tempo de permanência na loja para ajudar no atendimento desse mês de maior movimento.
Natália diz que a escassez de mão de obra está cada vez mais grave e reclama da falta de comprometimento das pessoas. Na opinião da lojista, a oferta maior de emprego é a causa da situação. Outro problema, segundo a empresária, é que muita gente não encara o segmento de comércio como carreira e sim como uma atividade temporária.
Para tentar contornar a situação, Natália tem procurado ser mais exigente na hora da contratação e está buscando pessoas mais maduras. No início, a proposta era contratar universitários e para tanto foi criado um horário diferenciado, de cinco horas diárias. Hoje, a preferência é por estudantes em fim de curso de graduação, com idade entre 20 e 30 anos. A Endossa tem loja em São Paulo e Brasília. A escassez de atendentes também é percebida em São Paulo, acrescenta a empresária.
A supervisora de Recursos Humanos da Construtora Lavitta, de Curitiba, Renata Viana Dias, também cita a falta de comprometimento do funcionários como principal dificuldade de mão de obra. No caso da construção civil, ela lembra que o trabalho braçal e a falta de status de uma atividade como servente de pedreiro afastam os candidatos. Segundo ela, ao contrário do que muita gente pensa, a construção civil oferece carreira, remuneração acima do piso, pagamento de horas extras e benefícios. Renata Dias lembra que a construtora realiza um trabalho para incentivar o crescimento dos funcionários na empresa, tanto que os mestres de obras são promovidos do quadro próprio da firma.

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