Empresas reavaliam a
produção no Mercosul
Arquivo FolhaESTOPIMDesvalorização do real desencadeou crise no MercosulOs recentes atritos políticos e econômicos entre Brasil e Argentina, a desvalorização do real em relação ao dólar e as eleições para presidente na Argentina levaram indústrias dos dois e de outros países a reavaliar os investimentos na região. Empresas brasileiras que foram para a Argentina com a intenção de abastecer o Mercosul, especialmente o Brasil, como é o caso da Arisco, enfrentam a alta do dólar, já que ficou mais caro trazer produto de fora.
Quem foi para lá para vender basicamente aos argentinos, como a Tigre, fabricante de tubos e conexões, defronta-se com a retração da economia argentina e com a insegurança gerada pela eleição presidencial, marcada para 24 deste mês.
Depois de atrair investimentos em nome de um mercado comum – formado por 200 milhões de habitantes e com um PIB (Produto Interno Bruto) de R$ 1 trilhão –, os problemas enfrentados pelos dois países, a começar pela desvalorização do real, preocupam os investidores. ‘‘Os empresários estão cautelosos. Indústrias decididas a adquirir empresas ou a construir fábricas no Brasil e na Argentina agora têm dúvidas’’, afirma Beatriz Nofal, diretora-geral da consultoria Arthur D. Little na Argentina.
A Arisco tem três fábricas na Argentina para produção de azeite, azeitona e pasta de alho. A última foi inaugurada em junho de 98 e absorveu investimentos de US$ 10 milhões. ‘‘Estamos num ritmo de produção conservador na Argentina’’, diz o diretor Nelson Mello.
Brasil e Argentina atraíram investimentos nos últimos anos. Pelo levantamento da Arthur D. Little, de 95 a 98 os investimentos estrangeiros no Brasil somaram cerca de R$ 55,2 bilhões. Na Argentina, R$ 46,3 bilhões. A Sobeet (Sociedade Brasileira de Estudos de Empresas Transnacionais e da Globalização Econômica) estima que os investimentos estrangeiros no Brasil na produção devem chegar a US$ 25 bilhões neste ano e a US$ 20 bilhões em 2000.

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