As lideranças empresariais brasileiras finalizam na segunda-feira a pauta de reivindicações para o futuro acordo de livre comércio entre Mercosul e União Européia. O setor privado defende, em linhas gerais, que o governo proponha aos europeus a liberalização máxima do comércio, segundo Eduardo Pereira de Carvalho, presidente da União da Agroindústria Canavieira do Estado de São Paulo (Única).
Em outubro, o Mercosul apresenta sua proposta de acordo de livre comércio para a União Européia, uma espécie de resposta à proposição feita em julho pelos europeus, considerada modesta pelo setor privado. Os empresários, liderados pela Coalizão Empresarial Brasileira, entregam suas reivindicação ao governo logo após o dia 27 e esperam que sejam discutidas pelos representantes do governo já na próxima reunião do Mercosul, no fim de agosto. Os empresários afirmam que o governo tem dado ouvidos a suas reivindicações, mas não há garantias de que sejam incluídas na proposta de acordo.
A Única, por exemplo, quer a participação integral do tema açúcar nas negociações com a União Européia. Mas a proposta européia coloca o açúcar em um capítulo especial das negociações, medida rejeitada pelos produtores.
Cláudio Martins, diretor-executivo da Associação Brasileira dos Exportadores de Carne de Frango (Abef), reitera que o ideal para o Brasil é adotar a estratégia ''zero for zero'' nas negociações com a Europa, ou seja, exigir tarifa zero para os produtos importados e exportados o mais amplamente possível. Na União Européia, incide sobre as carnes brasileiras de frango, suína e bovina uma série de cotas, tarifas fixas e variáveis.
A CNI, que coordena a coalizão empresarial, é mais cautelosa. Segundo Lucia Baptista Maduro, economista da CNI, o setor privado ainda não chegou a um consenso sobre as propostas a serem levadas ao governo.

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