Curitiba - Operadores e empresas de call center e telemarketing do Paraná estiveram ontem reunidos em Curitiba para discutir o papel do setor no mercado nacional. No Brasil, o setor emprega atualmente cerca de 550 mil funcionários e fatura cerca de R$ 3 bilhões por ano. Entretanto, apenas 3,6% das empresas brasileiras do setor estão no Paraná. De acordo com o presidente da Associação Brasileira de Telemarketing, Topázio Silveira Neto, o Paraná é um dos estados brasileiros com grande potencial para a abertura de empresas de telemarketing. Até mesmo, pelo fato de ter mão-de-obra qualificada, transporte ágil a baixo custo, espaços adequados em estabelecimentos comerciais e excelente malha de escolaridade.
Entretanto, dois fatores tributários pesariam contra o Paraná. Na maioria dos estados, a tributação municipal do Imposto Sobre Serviços (ISS) é de 2%. Em Curitiba, por exemplo, o ISS para o setor de telemarketing é de 5%. O Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) da telefonia também atrapalharia a atração de empresas ao Estado. Em São Paulo, o ICMS cobrado pelo serviço de telefonia seria de 15%. No Paraná, é de 25%. ''O Paraná é extremamente atrativo. Mas não temos opções de lucratividade, já que o setor não tem lucros expressivos e precisa ser tratado de maneira diferenciada'', apontou Silveira Neto.
O setor de call center e telemarketing cresceu 11% no ano de 2004. A previsão é que cresça entre 9% e 10% em 2005 e gere cerca de 60 mil empregos em todo o Brasil. Cerca de 45% dos funcionários contratados são jovens e estão a procura de um primeiro emprego e 65% deles são do sexo feminino. São considerados do setor de telemarketing todas as empresas de venda por telefone (10% do total) e que têm serviço especializado no atendimento ao cliente (ouvidorias). ''O call center é um representante dos clientes junto à empresa. Esse serviço tem crescido muito, independente da crise econômica que o País passou há mais de um ano'', afirmou.
Um dos cuidados do setor é o de regulamentar o serviço para evitar abusos de determinadas empresas. ''Temos que atuar de forma a cativar nosso cliente. Não podemos fazer um desserviço ou afastar o cliente de nossas empresas. Para isso, temos que certificar as empresas que queiram atuar na prestação de serviços de telemarketing e punir os que atuarem de forma irregular'', disse ele.
Entre os pontos principais para certificação (que começará a ocorrer no final deste ano) estão: agir com cautela nas vendas por telefone, nunca ligar para o cliente antes das 9h ou depois das 21h, não ligar domingos e feriados, uma vez abordado e dizendo que não tem interesse o nome do cliente deve ser imediatamente excluído do banco de dados. O código de ética do setor está publicado no site www.abt.org.br.
Atualmente, o setor é mais forte no eixo Rio-São Paulo. Mas também está presente com intensidade na região centro-oeste (Goiás, Minas Gerais e Brasília).

mockup