Curitiba - A fila de caminhões na BR-277 - que aguardavam para descarregar grãos no Porto de Paranaguá - se desfez no início da manhã de ontem. Segundo informações da Polícia Rodoviária Federal (PRF), a fila começou na manhã da segunda-feira de carnaval e chegou a atingir 13 quilômetros de extensão.
''Este incidente serviu como um exercício para nós e mostrou que estamos aptos para equacionar problemas como este. Não iremos ceder às pressões e as atividades das empresas que desobedeceram as normas da Appa poderão ser suspensas por até 180 dias úteis. A sanção será aplicada para que elas sintam que as normas do porto precisam ser respeitadas'', reforçou o superintendente do porto, Eduardo Requião.
Um dos principais motivos que levou ao congestionamento de carretas na pista sentido Curitiba-Paranaguá foi a chuva que paralisou as atividades do porto. Foram quase 24 horas sequenciais de tempo chuvoso. Nos dois últimos anos, o porto não tinha registrado problemas com filas.
No entanto, o superintendente Eduardo Requião, disse que a fila ocorreu porque as cargas não estavam negociadas e não havia espaço para descarregar nos terminais privados. Na última quarta-feira, ele afirmou que a grande quantidade de caminhões ocorreu porque ''operadores portuários, plantadores, cooperativas e produtores de Mato Grosso e Goiás, diante da supersafra, estavam tentando forçar o porto a abrir mão do silão para a soja transgênica''.
Ontem, às 17h30, o pátio de triagem do porto tinha 682 caminhões e 276 vagas livres. Dois navios estavam sendo carregados com grãos e deveriam receber 96.600 toneladas. Mas, o fim da fila ontem, não significa que a situação pode continuar tranquila. O assessor técnico-econômico da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep), Carlos Augusto Albuquerque, acredita que as filas podem voltar à BR-277.
Ele lembrou que neste ano haverá um aumento na produção de soja no Paraná. Em 2006 foram cerca de 9 milhões de toneladas. Para este ano estão previstas de 11 milhões a 12 milhões de toneladas de soja. Este fator também vai fazer aumentar o volume escoado pelo porto. A colheita da soja e do milho vai até junho. Ele lembrou que, como os Estados Unidos estão aproveitando o milho para fazer etanol, o mercado internacional deve comprar milho do Brasil. Neste ano, o Paraná pretende produzir cerca de 3 milhões a 4 milhões de toneladas do grão.

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