Empresas prometem limpar nome de devedor, mas não cumprem
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segunda-feira, 16 de março de 2015
Andréa Bertoldi<br> Reportagem Local 
Curitiba - Quando está inadimplente, é comum o consumidor recorrer a empresas que oferecem serviços para "limpar" seu nome no mercado de crédito. Uma pesquisa realizada pelo Serviço Central de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pelo portal de educação financeira "Meu Bolso Feliz" em todas as capitais mostrou que 20% dos entrevistados já contrataram serviços de empresas que prometem fazer este tipo de serviço. No entanto, em 65% dos casos, elas não cumpriram o prometido e o consumidor sai lesado.
A pesquisa aponta ainda que, entre as pessoas que contrataram o serviço, mas não tiveram o nome limpo, apenas 28% receberam integralmente o dinheiro investido de volta; 37% alegam que não receberam nada. Para 53% das pessoas, não valeu a pena contratar o serviço, pois se negociasse diretamente com o credor, o custo seria bem menor. Em média, cada consumidor gastou
R$ 1.490 na contratação do serviço e teve ainda que arcar com o valor corrigido da dívida adquirida com o banco ou estabelecimento comercial. A pesquisa foi realizada na primeira semana de fevereiro com 715 entrevistados.
A economista-chefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti, diz que, para limpar o nome, a dívida precisa ser paga. E alerta para situações nas quais são oferecidas vantagens fora de mercado. Segundo ela, nesta área há empresas idôneas e também gente desonesta. "Quando a empresa promete alguma coisa fora do padrão ou resolver o problema sem pagar a dívida, o consumidor deve desconfiar", alega.
Marcela explica que o próprio devedor pode fazer a negociação com seus credores e não precisa da intermediação. Segundo ela, o primeiro passo é a pessoa verificar o quanto pode pagar por mês para saldar o débito. Em seguida, é preciso buscar o credor e propor a negociação. Ela destaca que 67% das negociações diretas com os credores são bem sucedidas. "O credor prefere até receber um pouco menos do que ficar protelando a dívida", conta. A economista diz ainda que a negociação sempre implica desconto do valor total, aumento do prazo ou as duas coisas juntas.
A representante do SPC alerta que as empresas que oferecem serviços para "limpar o nome" geralmente já citam no contrato que não garantem o sucesso na renegociação da dívida e, que isso é uma forma de elas se prevenirem da reação dos clientes.
Caso o consumidor insista em terceirizar a tarefa de limpar seu nome, ela sugere contratar uma empresa que já tenha resolvido o mesmo tipo de problema para algum conhecido. "Mesmo assim, não indico contratar empresas para isso. Não vale a pena fazer dispêndio de dinheiro em um momento difícil", afirma.
Segundo ela, a maior parte das dívidas dos brasileiros é com cartão de crédito e cartão de crédito de loja. O primeiro tem juros de 260% ao ano. A economista alerta que o valor inicial da dívida do inadimplente é, em média, de R$ 7.817 e o valor final de R$ 21.676.


