Curitiba - A Associação Paranaense de Empresas de Base Florestal (Apre) estão preparando uma ação judicial para reparação dos prejuízos que teriam sido obtidos no campo com a Portaria 191 do Instituto Ambiental do Paraná (IAP). A portaria suspende temporariamente a emissão de autorizações para preparação de áreas de plantio e já dura 180 dias. O prejuízo mensal dos empresários de base florestal seria de R$ 500 mil. Durante todo o período da portaria, os prejuízos acumulados somariam R$ 3 milhões.
''Estamos caminhando para um apagão florestal, para o fim da floresta plantada. Vamos buscar a indenização de tudo o que perdemos por lutar pela preservação ambiental'', reclamou ontem o empresário Roberto Gava, presidente da Apre. Gava participou em Curitiba de um debate sobre a Portaria 191 e a normatização que está sendo criada pelo IAP para o setor. O empresário explicou que o setor da madeira exportou no ano passado US$ 1,04 bilhão, sendo o segundo maior setor do agronegócio paranaense. ''Exportamos madeira em forma de papel, lâmina e de outros artefatos de madeira. O IAP precisa se sensibilizar conosco para evitar milhares de demissões no campo'', pontuou.
Dados da Apre demonstram que cerca de 70 indústrias madeireiras existem no Paraná e 50 delas estão dedicadas ao plantio de árvores e à industrialização da madeira. Mais de 5,2 mil empresas consumiriam os produtos gerados da floresta plantada que seria responsável por 150 mil empregos diretos e indiretos. Gava reclamou das normas do IAP que impediriam que fossem reflorestadas áreas em estágio inicial de Mata Atlântica (até 15 centímetros de diâmetro). ''Não queremos tirar florestas. Somos o setor que mais planta e que preserva cerca de 40% das propriedades rurais com mata nativa. Em vez de sermos premiados, somos penalizados'', reclamou. Cerca de 30 prefeitos da região Centro-Sul do Paraná participaram do debate.
O presidente do IAP, Rasca Rodrigues, disse que está aberto às discussões e debates sobre a degradação ambiental e explicou que a Portaria 191 foi editada para acabar com os abusos que existiam no setor madeireiro. ''Temos que criar e normatizar uma forma de plantar florestas, sem agredir o meio ambiente. O que eles (madeireiros) estavam fazendo era uma verdadeira agressão à floresta. Daqui para frente a legislação ambiental só será modificada para restringir'', observou Rodrigues. Ele disse que vai terminar a normatização do setor até o final deste mês e negou que pretenda reeditar a Portaria 191.

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