Nos últimos meses a palavra ética tornou-se uma constante em todas as rodas de conversa. Os motivos, todos sabem: os escândalos nas principais esferas de governo. Fica evidente que boa parte dos políticos e administradores dão um péssimo exemplo a todos. Porém, é necessário que a ética seja assunto do dia também nas empresas. Com raras exceções, quando um político está envolvido em corrupção, há sempre uma empresa pagando a propina para receber algum benefício.
Os jornais mostram todos os dias que o Brasil tem uma alta carga tributária, burocracia exagerada, juros estratosféricos, crédito difícil de conseguir e leis trabalhistas impraticáveis. ''Por mais absurdo que possa parecer no Brasil de hoje, uma empresa não quebra por pagar impostos corretamente. A sonegação traz muito mais prejuízos não só para a empresa, mas para o País'', afirma o presidente do Sindicato das Empresas de Consultoria, Assessoria, Perícias e Contabilidade de Londrina, Sescap, José Joaquim Ribeiro.
Conforme um estudo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgado no último dia 19, das cem mil empresas que surgiram por ano no País entre 1996 e 2003, mais da metade (58 mil) fechou as portas sem completar três anos de vida. O comércio é o setor preferido dos novos empresários e também o que registra as maiores taxas de falência.
Segundo Ribeiro a sonegação destrói o conceito de ética. ''As empresas fecham as portas por vários motivos, entre eles a desorganização contábil e fiscal, a falta de visão de negócio, a falta de clientes e até a sonegação, mas nunca por pagar impostos'', avalia Ribeiro.
''Atualmente, para que uma empresa possa adquirir e garantir credibilidade junto ao mercado, não basta somente oferecer produtos ou serviços de qualidade, preços competitivos e obter exposição na mídia. Embora estes fatores sejam fundamentais e os consumidores estejam cada vez mais exigentes, a conquista da credibilidade junto ao público exige mais, pois engloba outros fatores tão cruciais quanto os primeiros. A ética é, com certeza, um destes principais itens'', explica o consultor em Comércio Exterior, Marketing Empresarial e Planejamento Estratégico, sócio-proprietário da AH Internacional Ltda, Sérgio Hortmann.
Para o presidente do Sescap, é imprescindível que o empresário continue lutando para a redução das taxas de juros, menor carga tributária, diminuição da burocracia, enfim, um melhor ambiente para o fortalecimento das empresas nacionais, porém ele também precisa dar o exemplo.
''É um efeito dominó. Se o empresário sonega, os funcionários sempre ficam sabendo e perdem o respeito até, em alguns casos, levando essa informação para fora da empresa. Já para o consumidor, a imagem da empresa fica arranhada. Muitos, inclusive, mudam de marca ao saberem das irregularidades. Neste ano inúmeras empresas tiveram que fechar por causa da repercussão de mau gerenciamento. Outras gastam fortunas para tentar melhorar a imagem e raramente conseguem êxito. Portanto, não basta cobrar ética dos políticos. A ética precisa ser, inicialmente, praticada dentro de casa''.

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