Criar uma empresa em tempos de crise pode representar uma boa oportunidade, segundo especialistas. Planejamento aliado à disciplina e ao tino para o negócio são importantes armas para o sucesso da nova empresa. No Paraná, estudos mostram que esses cuidados têm garantido a sobrevivência da maioria dos novos negócios.
Segundo o consultor Moacir Vieira, da Kaizensig - Soluções Empresariais Inteligentes, o planejamento começa com uma previsão orçamentária para antever problemas e ganhos. ''O empreendedor precisa saber o que vai conseguir vender e qual será a estrutura necessária para atender seu negócio''. A contratação de funcionários, máquinas, móveis e equipamentos, além de matéria-prima, devem constar neste orçamento.
Vieira explica que no planejamento ainda estão previstas três possíveis metas, mais conhecidas por cenários. ''O cenário médio é quando o empresário atingiu seus objetivos planejados. Já o cenário favorável, significa que o planejado superou as expectativas. E o terceiro cenário, conhecido por conservador, não se alcançou os objetivos desejados''.
Atingir ou não esses cenários, segundo o consultor, depende em grande parte do capital de giro inicial para começar o negócio. Vieira orienta o empreendedor a ter pelo menos 70% de fôlego de capital para iniciar o negócio e os outros 30%, caso seja de extrema necessidade, recorrer a bancos, financeiras e afins. ''Acontece do empresário vender com prazo de 60 dias para receber do cliente, quando compra matéria-prima para sua empresa com prazo de 30 dias'', exemplifica, ao alertar que esse é um erro comum para empresários iniciantes.
Com o negócio funcionando, o novo empreendedor deve acompanhar o planejamento comparando com o que está sendo realizado. ''Ver em qual cenário (médio, favorável e conservador) de planejamento está'', recomenda o consultor ao acrescentar que se deve corrigir o curso dos negócios ou acelerar (investir mais) caso o planejado seja superado.
Embora pareça um jargão surrado, Vieira diz que em época de vacas gordas o empresário deve poupar. Ele comenta que o empreendedor que poupa em época de bonanza, tem condições de gastar menos e melhor quando aparecem as crises econômicas. ''Em época de crise, se o empresário está capitalizado, dá para aumentar o negócio, modernizar sua empresa, contratar bons funcionários por um preço menor. Você compra mais fácil porque tem um folga maior no caixa para negociar'', orienta.
Há também o empresário que gasta quando deveria poupar. ''Ele (empresário) compra carros para os filhos, esposa, adquire apartamento, faz viagens caras...''. Segundo Vieira, este tipo de empreendedor mistura as estações (princípio de identidade), pois não sabe separar as contas de sua empresa e de seu negócio.
''Esta falta de planejamento nos gastos pessoais e do negócio, faz com que comece a faltar dinheiro no caixa da empresa'', comenta. O erro seguinte, conforme o consultor, é o empresário buscar dinheiro de bancos com juros altíssimos. ''Conheço casos em que empresas emprestaram com 8% ao mês'', conta. Na sequência de equívocos vem a opção por reduzir despesas não inteligentes. ''O empresário demite os melhores funcionários, sonega impostos, não paga direito seus fornecedores'', pontua.
O que fazer
O consultor recomenda que o empreendedor tenha senso de administração e de vendas. ''Caso ele não tenha este perfil, procure um sócio para exercer um dos papeis'', é taxativo. Cuidar do marketing do negócio, ter um bom network (rede de amigos) com fornecedores e clientes é o primeiro passo para o responsável pela área comercial. ''Geralmente, o cara organizado é quem deve administrar o dinheiro. O que cuida de vendas é mais arrojado'', exemplifica.
Vieira, que também é contador, orienta que o empreendedor deve conhecer a fundo sua atividade. Ele explica que o empresário, do ponto de vista comercial, deve conhecer o consumidor de seu produto ou serviço, o que este público quer, onde ele está e o que fazer para seduzi-lo.
Para se manter na onda das vendas e do crescimento da empresa, o consultor orienta atualização constante. ''O dono da empresa tem que participar de cursos, palestras, feiras, congressos'', conclui ao explicar que este tipo de atitude mantém a empresa na crista dos negócios.

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