Empresas mantêm rentabilidade
Se a cotação apreciada do Real perante ao dólar é ruim para alguns setores que exportam, há exemplos de empresas que conseguem até aumentar sua rentabilidade. É o caso da Aesa, indústria com sede em Cambé fabricante de molas para caminhões e acessórios para feixe de molas. A indústria tem repassado mensalmente ao preço final dos seus produtos as variações do dólar. Isso tem ocorrido porque os principais concorrentes internacionais da empresa nacional também adotaram a mesma política.
Por conta do aquecimento da demanda internacional, nos dez primeiros meses deste ano a Aesa aumentou o volume exportado em 58%, com relação ao mesmo período de 2006. O faturamento cresceu cerca de 50%. Do total da produção, cerca de 24% é comercializado no exterior. A empresa exporta há 31 anos e a cada momento da economia é adotada uma estratégia. ''Em 2003, 2004 (quando a cotação do dólar superou os R$ 3) baixamos nossos preços; hoje, os reajustes são mensais'', comenta o diretor comercial e financeiro André Bearzi.
Ele acrescenta que no mercado interno foi feito apenas um reajuste de preços durante todo o ano e isso ocorreu por conta do aumento da cotação do aço, matéria-prima utilizada nos produtos. Para o próximo ano, a Aesa planeja um aumento da capacidade produtiva de 30%, volume que deve ser exportado.
Aumento - As exportações brasileiras do setor avícola vão bem, apesar dos embargos comerciais. No entanto, poderiam estar ainda melhores se a cotação do dólar estivesse um pouco mais apreciada. É o caso da Big Frango (com sede em Rolândia). Segundo o diretor de Exportações, Hélio Schorr, médico veterinário, as exportações poderiam ser 50% maiores se a cotação do dólar estivesse maior. Mesmo assim, as vendas no comércio exterior da empresa cresceram amparadas no aumento da capacidade industrial.
''A indústria tinha traçado um plano de investimentos antes deste panorama e manteve isso. Mas não sei até onde iremos suportar porque esta taxa de câmbio (na casa dos R$ 1,80) é irreal'', diz Schorr. Ele acrescenta que a empresa tem conseguido manter seus custos porque parte deles são dolarizados. ''Mas o Real forte diminui o faturamento das empresas e gera um atraso tecnológico. Se a cotação do dólar estivesse melhor, as exportações aumentariam e as empresas iriam gerar mais empregos e mais riquezas ao País'', observa. (F.M.)





