Curitiba - O Cadastro Central de Empresas (Cempre) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostrou que do total de 376.287 estabelecimentos que o Paraná tinha no final de 2008, 76% deles tinham até quatro funcionários. No entanto, as empresas maiores, com 500 trabalhadores ou mais é que pagavam os maiores salários, em média, R$ 1.916. As com até quatro funcionários tinham salário médio de R$ 930 e de um a 19 funcionários de R$ 891. No entanto, as companhias maiores empregavam o maior número de colaboradores. As que tinham 500 ou mais funcionários, tinham um quadro total de 703 mil pessoas, enquanto aquelas com até 16 empregados, eram responsáveis pelo emprego de 659 mil pessoas.
O Cempre é um banco de dados que armazena informações cadastrais e que existe desde 1996. Utiliza dados coletados pelo IBGE, informações da Raiz do Ministério do Trabalho e Emprego e dados do Imposto de Renda. Quando o IBGE faz, por exemplo, a pesquisa industrial anual, seleciona as empresas por meio deste cadastro.
No final de 2008, o maior número de estabelecimentos no Estado era de reparação de veículos automotores e motocicletas com 175.971 unidades. O analista do IBGE no Paraná, Luis Alceu Paganotto, explica que a maior parte delas eram pequenas e médias empresas, além de exigirem um baixo capital para a abertura. O economista do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), Cid Cordeiro, destacou que o setor de reparação de veículos também tem uma informalidade elevada. ''Com alguma habilidade de mecânica e com pequeno capital a pessoa pode abrir uma oficina'', disse.
A indústria vinha na segunda colocação com 38.831 empresas. Cordeiro explicou que o grande número de empresas industriais também está relacionado à força da agroindústria. Só para se ter uma ideia, em 1996, a indústria do Paraná empregava 18,5% do total de pessoal ocupado e, em 2008, esse percentual já era de 22%.
O total de pessoal ocupado no Estado também teve um salto e passou de 2,776 milhões em 2007 para 2,906 milhões em 2008, o que significa um aumento de 4,6%. O maior número de ocupados estava na reparação de veículos automotores (749.444 pessoas) seguido da indústria (661.743).
O volume de assalariados também cresceu e passou de 2,290 milhões em 2007 para 2,404 milhões em 2008 ou um aumento de quase 5%. ''Se não houvesse a crise, o resultado de 2008 seria maior'', disse Paganotto.
Ainda em 2008, as empresas pagaram um total de R$ 38,603 bilhões em salários no Paraná contra R$ 33,353 bilhões no ano anterior ou 15,7% a mais. A indústria pagou o maior volume total de salários (R$ 9,1 bilhões), seguida da administração pública (R$ 7,7 bilhões) e da reparação de veículos automotores (R$ 5,5 bilhões). Cordeiro lembrou que a indústria paga mais, mas também exige uma qualificação maior.
Em 2008, o salário médio na indústria era de R$ 1.150, no comércio de R$ 618, na administração pública de R$ 2.060 e nos bancos de R$ 2.621. Os melhores salários médios mensais foram nos setores de eletricidade e gás (10,7 salários mínimos), atividades financeiras (7,2 salários mínimos) e administração pública (4,8 salários mínimos). O economista do Dieese lembrou que a maior parte dos salários do setor de eletricidade está relacionada à Copel. Também destacou que os bancos passaram por uma reestruturação financeira nas décadas de 80 e 90 e, por isso, exigem pessoal com formação universitária e com salários mais altos.

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