Empresas madeireiras apostam na exportação
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quinta-feira, 04 de março de 2004
Rodrigo Sais<br>Equipe da Folha 
Curitiba - As empresas do ramo madeireiro estão apostando no mercado externo para impulsionar as vendas do setor. A inclusão inédita das empresas de comércio exterior como expositores na 23 Feira Internacional de Máquinas para Madeira (Fenam) mostra a disposição dos produtores madeireiros em aproveitar o dólar alto para aumentar suas exportações. Os organizadores esperam a presença de cerca de 14 mil pessoas nesta edição da Fenam, que está sendo realizada no Centro de Exposições do Parque Barigui em Curitiba até amanhã.
A feira é realizada a cada dois anos em Curitiba pela Diretriz Empreendimentos. O gerente de marketing da empresa, Jackson Hara, justifica a inclusão dos empresas especializadas em comércio exterior entre os expositores como uma necessidade de mercado. ''O setor madeireiro evoluiu muito nos últimos anos, passando de uma atividade meramente extrativista para abranger também o beneficiamento do produto. O próximo passo agora é comercializar esses produtos com eficiência'', explicou Hara.
Segundo Hara, a necessidade de uma estratégia adequada de exportação é ainda maior no caso dos pequenos e médios produtores. ''Exportação depende de volume. As empresas que operam com o comércio externo podem somar os produtos produzidos por várias empresas pequenas e obter preços melhores na venda'', lembra o diretor.
Os dados coletados na quarta-feira, dia de abertura da feira, mostram que o setor está confiante em uma recuperação da economia. Das cerca de 2 mil pessoas que compareceram ao evento, 95% se mostraram interessados em adquirir equipamentos de corte e beneficiamento da madeira. ''É importante frisar que 90% das pessoas que demonstraram interesse em comprar equipamentos eram diretores, gerentes ou proprietários de empresas. Atualmente temos tecnologia de ponta disponível no Brasil, e os produtores locais querem aumentar sua competitividade'', destacou Hara. Cerca de 100 empresas estão demonstrando o funcionamento de seus equipamentos nesta edição da Fenam. Além das máquinas nacionais, equipamentos fabricados na Alemanha, Itália, Holanda, Áustria, Eslovênia, Argentina, Austrália, e Taiwan estão em exposição.
Outro ponto de destaque na feira é a oferta de sistemas de produção de energia para madeireiras. Atualmente, os gastos com enegria elétrica representam até 15% do preço final do produto. ''A questão da energia tem que ser vista por dois lados. O primeiro é que o setor madeireiro brasileiro ainda não se deu conta de que não precisa estar atrelado a produção de energia da concessionária local, podendo comprar energia em praças mais baratas e pagar apenas uma taxa de frete pela transmissão da energia nas linhas da concessionária de sua região. O outro ponto que está sendo abordado nas feiras é a capacidade dos grandes produtores de montar sua própria usina de geração de energia, utilizando-se dos restos de madeira que não são aproveitados'', afirmou Hara.
Segundo a empresa Enercons, que presta consultoria na área de energia, com um investimento de US$ 700 mil é possível montar uma usina térmica com capacidade de geração de 1 megawatt. A empresa acredita que os custos dessa implantação podem ser pagas em um prazo de quatro anos. O superintendente da empresa, Ivo de Abreu Pugnaloni, lembra que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) tem uma linha de crédito especial para investimentos em usinas geradoras de energia.


