A administração das estradas federais já privatizadas foi um bom negócio para as empresas concessionárias em 1997. Ao contrário das previsões de que o equilíbrio entre receita e despesa só ocorreria cinco anos depois do início da cobrança de pedágio, no ano passado houve lucro. Ao todo, as administradoras das estradas arrecadaram R$ 312,2 milhões cobrando pedágio e os investimentos, previstos no contrato de concessão, somaram R$ 315,4 milhões. Na maioria das 5 rodovias já concedidas a arrecadação de pedágio foi maior que os investimentos realizados.
Segundo dados da Diretoria de Concessões Rodoviárias do Departamento Nacional de Estradas de Rodagem (DNER), a concessionária da Ponte Rio-Niterói, a Ponte S/A, investiu R$ 12,6 milhões e arrecadou R$ 30,7 milhões. A Concer, que tem a concessão da rodovia Rio-Juiz de Fora, teve uma receita de R$ 49,4 milhões e um dispêndio de R$ 27 milhões. A CRT, que administra a estrada Rio-Além Paraíba investiu R$ 20,230 milhões e arrecadou R$ 25,349 milhões.
A Nova Dutra, concessionária da rodovia que liga São Paulo ao Rio de Janeiro, teve resultado negativo. O motivo foi alterações no cronograma de investimentos em 1997. Ela aplicou R$ 244 milhões na estrada e arrecadou R$ 202 milhões. Em julho, a Nova Dutra afirmou ter feito no primeiro ano de concessão o que estava previsto para ser realizado em quatro anos. Ela previa a construção de 15 passarelas e oito viadutos. Foram cerca de R$ 80 milhões de investimentos a mais do que o estabelecido no contrato para os primeiros dois anos de concessão. A Concepa, que em outubro passou a cobrar pedágio da estrada que liga Osório a Porto Alegre, teve em dois meses R$ 3,9 milhões de receita. Com a obrigatoriedade de investimentos nos primeiros meses para colocar a estrada em bom estado, a empresa investiu ao longo de 1997 R$ 11,5 milhões.
Pelo retorno financeiro praticamente certo aos concessionários, o governo já divulgou mais dois editais de licitação em fevereiro e prevê outros 12 para este ano. O número de quilômetros privados poderá subir dos atuais 856 quilômetros para 5.063 quilômetros até dezembro. A meta do governo é repassar à iniciativa privada 15% das estradas federais (7.940 quilômetros) até 1999.
Em maio, deverão ser entregues as propostas de tarifas de pedágio dos dois trechos da Rodovia do Mercosul, a BR-116, que liga São Paulo a Curitiba e as BRs 116, 376 e 101, entre Curitiba e Florianópolis. Para estas estradas, a arrecadação prevista com pedágio é de US$ 3,3 bilhões em 25 anos.

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